Tuberculose: especialistas avaliam a situação da doença no país

No dia que marca a luta mundial para conter a tuberculose, especialistas avaliam a situação da doença no país
“Um terço da população mundial tem o bacilo de Koch – causador da TB”, afirma David Hadad, membro do Comitê Científico de Tuberculose e Micobacteriose da SBI. Por ano, em média, nove milhões de pessoas no mundo são acometidas pela patologia. No Brasil a incidência entre os homens é o dobro do que entre as mulheres e as populações mais vulneráveis são indígenas, portadores de HIV, presidiários e moradores de rua. Porém, como alerta o infectologista, “qualquer pessoa com a TB nos pulmões elimina no ar o bacilo ao tossir, falar, espirrar, rir”.Para Draúrio Barreia, Coordenador do Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT), em 2009 o Brasil teve uma melhora na posição dentro da lista das 22 nações que concentram 80% dos casos da doença no mundo, passando da 18ª para 19ª. “O balanço positivo é resultado do trabalho coordenado pelo Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT) desde 2003, quando o enfrentamento da doença foi elencado como prioridade pelo Governo Federal. Outro destaque é o fortalecimento da descentralização das ações de atenção ao paciente, que fez com que mais municípios assumissem seu papel no controle da doença”. diz o coordenador.

Em artigo publicado na imprensa, o ministro da Saúde José Gomes Temporão é enfático ao dizer que “mesmo com os progressos alcançados nestes 130 anos [da descoberta do bacilo causador da doença que permitiu maior intensidade nas ações de combate], a tuberculose ainda representa uma ameaça e um desafio, sobretudo nos países em desenvolvimento. Isso exige a mobilização dos diversos agentes sociais na busca por uma resposta participativa, que contribua para a prevenção de novos casos e, sobretudo, para a valorização dos pacientes e pessoas envolvidas no combate a qualquer forma de discriminação, preconceito ou limitação de acesso do portador da doença ao diagnóstico e tratamento”.

Bacilo KochTrata-se de uma infecção, que prejudica principalmente os pulmões, pode ocorrer em outros órgãos do corpo, como ossos, rins e membranas que envolvem o cérebro – chamadas de meninge. Há casos assintomáticos, mas a maioria dos pacientes apresenta tosse seca contínua no início da doença; secreção por mais de quatro semanas, que pode transformar-se em tosse com pus ou sangue; cansaço; febre baixa; suor excessivo durante a noite; falta de apetite; palidez; emagrecimento acentuado; rouquidão; fraqueza e desânimo. Em ocorrências graves há também dificuldade na respiração; eliminação de grande quantidade de sangue; colapso do pulmão e acúmulo de pus na membrana que reveste o pulmão, gerando dor no local.

Cápsulas 4 em 1

O Ministério da Saúde introduziu no país um novo tipo de tratamento que reduz a quantidade de doses diárias do medicamento usado no combate à TB, a partir do segubdo semestre de 2009. Desde então, as unidades de saúde ligadas ao SUS passaram a disponibilizá-los a população. Agora a dose fixa combinada (DFC) inclui quatro drogas no mesmo comprimido. A terapia dura seis meses: os primeiros 60 dias são com a DFC e o restante com duas outras drogas, também em cápsula única – conhecida como “dois em um”. A última já era usada anteriormente. “É muito mais fácil para o paciente engolir quatro remédios numa mesma apresentação do que quatro remédios separados. Esse é o principal motivo pelo qual esperamos que a forma 4 em 1 facilite o tratamento”, comenta o especialista da SBI David Hadad. Segundo ele, 8% dos pacientes que utilizam a medicação desistem da terapia no início, o que pode tornar o bacilo de Koch resistente às drogas.Bacilo Koch

A meta brasileira é reduzir o abandono para menos de 5%, e alcançar 85% da taxa de cura, de acordo com os parâmetros da OMS. Para o especialista da SBI David Hadad  “a expectativa é que com essa nova medicação seja possível completar o tratamento do número maior de pessoas com TB nos pulmões. Isso, ao longo do tempo, reduzirá a mortalidade”.

Drário Barreira,  acrescenta que “atualmente, o percentual de cura é de aproximadamente 73%; o recomendado pela OMS é 85%. Com o processo de descentralização das ações de controle da tuberculose para a Atenção Básica, a taxa de mortalidade caiu entre 2002 e 2008, passando de 2,9 por 100 mil habitantes para 2,5. Isso representou redução de 14,2% no período avaliado.
Países em risco

Segundo a OMS, 22 países concentram 80% dos casos de tuberculose no mundo. Nos últimos três anos, o Brasil passou da 14ª para a 19ª posição no ranking mundial de casos da doença. Isso demonstra a eficácia dos programas de controle, pois quanto maior a colocação, melhor é a situação epidemiológica do mal.

Para Hadad, os países pobres concentram o maior número de vítimas da infecção e “um dos desafios para esses países é encontrar todas as pessoas com TB nos pulmões, o outro, maior ainda, é garantir que todas elas tomem as medicações durante o tempo necessário”, analisa.

No território nacional, 70% dos casos se encontram em 315 dos 5.565 municípios. As maiores incidências estão nos Estados do Rio de Janeiro (68,6 por 100 mil habitantes), Amazonas (67,9), Pernambuco (47,6), Pará (43,7), Ceará (43,2) e Rio Grande do Sul (42,5). As menores taxas de incidência do país foram registradas no Distrito Federal (13,7), Tocantins (13,7) e Goiás (13,9).  
Tuberculose versus HIV

“Desde o surgimento da Aids no início da década de 80, o vírus HIV é de longe o principal fator para as pessoas adoecerem por tuberculose”, afirma Hadad. No Brasil, a TB é a quarta causa de mortes por doenças infecciosas e a primeira em pacientes soropositivos.

Uma das explicações para isso, de acordo com o especialista, é que as causas para o desenvolvimento de tuberculose em pacientes que tem a bactéria inativa no corpo incluem a infecção pelo HIV. O médico ressalta ainda que a infecção também pode ser desencadeada por “alcoolismo, diabetes, uso de medicações que reduzam as defesas do organismo e desnutrição”.

Entre 2001 e 2008 houve um aumento no percentual de exames de detecção de HIV em pacientes com diagnóstico positivo para a tuberculose. No inicio da década 25,8% de casos novos da doença eram detectados nesses exames, hoje são 45,2%. Os dados são do Ministério da Saúde. 

Fonte: Sociedade Brasileira de Infectologia

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