Sono é considerado condição básica para se ter uma boa qualidade de vida

Ao lado de uma alimentação equilibrada e da prática regular de exercícios, o sono é considerado, por especialistas, condição básica para se ter uma boa qualidade de vida. Mas, se a nutrição e o fitness já conseguiram sensibilizar boa parte das pessoas, e também da mídia, o sono é o elo frágil desse tripé e a sua necessidade para manter a saúde ainda é subestimada.

“O sono tem papel fundamental no funcionamento do cérebro. É durante esse período que são reparadas condições orgânicas e desenvolvidas outras funções, como a reorganização do aprendizado adquirido durante o dia, por exemplo”, explica o neurologista Gilmar Fernandes do Prado, membro da Academia Brasileira de Neurologia e diretor do Laboratório do Sono do Hospital São Paulo.

Até mesmo as atividades motoras são afetadas pela falta de sono: pesquisas indicam que as pessoas que dormem bem têm um performance na atividade motora 20% melhor em relação àquelas que têm débitos de sono. “Muitos dos nossos problemas são resolvidos durante o sono, sem nos darmos conta disso”, diz Gilmar do Prado.

A insuficiência de sono é reconhecida, internacionalmente, como uma doença social. No Brasil, ela acomete 44,4% da população, segundo pesquisa coordenada em 2004 pelo neurologista e neurofisiologista Geraldo Nunes Vieira Rizzo, diretor do Sonolab – Laboratório do Sono, de Porto Alegre. “Vivemos em uma sociedade 24 horas, privada cronicamente de sono, na qual assistir filmes na TV, acessar emails, ler os jornais do dia e fazer atividade física são prioridades que roubam o precioso e necessário sono”, diz Rizzo.

Com tamanha oferta de atividades aparentemente indispensáveis à vida moderna, as pessoas optam por encurtar o período do sono, especialmente desconhecendo o mal que ocasionam à saúde. Segundo Rizzo, atualmente, as pessoas dormem 20% menos em relação ao tempo que dormiam nossos antepassados há duas gerações. “Antigamente, havia mais tempo para o pensamento e para a contemplação. Atualmente, a pressão para produzir extrapola os limites do organismo, que não está preparado para a dinâmica da economia do mundo atual”, acredita Rizzo. Essa mudança de comportamento é responsável por muitos problemas de saúde.

A pesquisa Sleep Health Study, feita na Universidade de Wisconsin, nos EUA, comprovou que a hipertensão arterial está diretamente vinculada à privação crônica de sono. Além disso, os débitos de sono trazem alterações gastrointestinais, perda da libido, perda de memória, redução da capacidade de concentração, alterações de humor e muitos outros sintomas que podem desencadear problemas de saúde mais graves.

Os débitos de sono são cumulativos e de difícil recuperação. Quando o indivíduo não dorme o período necessário, em torno de oito horas, as reações orgânicas vão aparecendo e vai se tornando cada vez mais difícil zerar o débito. “Para cada noite mal-dormida são necessárias três de bom sono”, diz Gilmar do Prado.

Com o passar do tempo, os débitos geram a insônia e insônia causa mais estresse. “Forma-se um ciclo vicioso e, muitas vezes, as pessoas partem para soluções inadequadas, como a automedicação, que pode piorar o quadro de saúde”, informa Rizzo.

O tratamento para o estado crônico de privação de sono, diagnosticado pelos especialistas com base em exames laboratoriais e observação sobre o modo de vida do paciente, inclui necessariamente uma mudança de hábitos, além de medicamentos quando se faz necessário.

O primeiro passo, em geral, é criar na rotina um período de transição entre o sono e as atividades de trabalho e outras que deixam o cérebro em estado hiperlaerta. “É preciso desacelerar e desenvolver ações relaxantes a partir das quatro horas anteriores ao horário de dormir”, ensina Prado. Nada de bebidas alcoólicas, café, chocolate, comida pesada ou exercícios físicos nesse período, po

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