Saiba o que fazer no caso de acidentes com cobras, escorpiões ou aranhas

311c7a139d34478f4cc28697a0dd711e

Entre os principais animais peçonhentos que causam acidentes no país estão serpentes, escorpiões, aranhas, lepidópteros (mariposas e suas larvas), himenópteros (abelhas, formigas e vespas), coleópteros (besouros potós), quilópodes (lacraias), alguns peixes (arraias, peixe-sapo, bagres), cnidários (águas-vivas e caravelas), entre outros.

No período de chuva o risco de acidentes com animais peçonhentos aumenta. As chuvas levam alguns deles a buscar abrigo em locais secos que podem ser próximos as casas ou até, entrando pelo encanamento do esgoto, nos apartamentos em prédios. Algumas espécies, como as serpentes, aproveitam essa época do ano mais quentes para acasalar, saindo dos locais onde vivem em busca de parceiros sexuais. Essa maior atividade aumenta o registro de acidentes. Algumas espécies podem ser encontradas em parques ou jardins, locais mais visitados durante o verão e férias escolares. Um terceiro fator relacionado ao maior aparecimento dos animais peçonhentos no período de chuvas é o aumento das atividades rurais ocasionadas pelo plantio de algumas lavouras.

 Se mesmo tomando todos os cuidados você for picado, ou alguém próximo a você, por um animal peçonhento é muito importante que alguns cuidados sejam tomados. Algumas práticas, comumente conhecidas como corretas, podem não ajudar a vítima. Para alguns animais peçonhentos, segue a lista de cuidados a serem tomados. Quem responde o mitos e verdades é o gerente da Unidade Técnica de Vigilância de Zoonoses, Eduardo Pacheco de Caldas.

Abelhas – No caso de acidentes com esses animais, não é orientado realizar procedimentos caseiros. A remoção dos ferrões pode ser feita por um profissional de saúde com lâmina, evitando o uso de pinças, que podem provocar a compressão da glândula da peçonha, o que resulta na inoculação do veneno ainda existente no ferrão. Usar compressas de água fria para aliviar a dor. Ainda não há soroterapia para o caso de acidentes por abelhas no Brasil e o tratamento é sintomático.

Caso o acidente tenha sido causado por múltiplas picadas, levar o acidentado o mais brevemente possível para um posto de saúde.

Mito ou Verdade: O desconforto causado pela picada de abelha pode ser aliviado fazendo compressas de cachaça ou água de colônia no local. 

Eduardo Caldas: Não há evidências de que tais substâncias aliviem os sintomas causados por acidentes com abelhas. A melhor estratégia para alívio da dor é a utilização de compressas frias e analgésicos receitados por um médico.

Aranhas – Lave o local da picada da aranha com água e sabão e não fazer torniquete ou garrote, não furar, cortar, queimar, espremer ou fazer sucção no local da ferida. Não aplicar folhas, pó de café ou terra para não provocar infecções! Não ingerir bebida alcoólica, querosene, ou fumo, como é costume em algumas regiões do país. Dependendo dos sintomas, podem ser adotadas medidas para alívio da dor, como compressas mornas (acidentes por aranha-armadeira e viúva-negra).

Havendo ou não melhora, o paciente deve ser levado ao serviço de saúde mais próximo para ser avaliada a necessidade de administração de soro específico.

Mito ou Verdade: Para picadas de aranha é recomendado o uso de lama! Coloque a argila diretamente no local onde foi picado para aliviar os sintomas e reduzir a inflamação. 

Eduardo Caldas: Mais um mito. Não há comprovação científica de que a lama ajude no tratamento dos sintomas locais. Ao contrário, a presença de bactérias da lama no local da picada podem contribuir para um quadro infeccioso.

Escorpiões – Compressas mornas podem ser utilizadas para aliviar a dor até chegar a um serviço de saúde, onde o médico poderá avaliar a necessidade ou não de soro ou tomar outras medidas necessárias. O prognóstico do paciente com manifestações sistêmicas está diretamente relacionado à rapidez da administração do soro antiveneno.

Assim como nas picadas de aranha, lave o local da picada com água e sabão. Não faça torniquete ou garrote, não furar, não cortar, não queimar, não espremer, não fazer sucção no local da ferida e nem aplicar folhas, pó de café ou terra sobre ela para não provocar infecção. Também não é aconselhável ingerir bebida alcoólica, querosene, ou fumo, como é costume em algumas regiões do país. É muito importante que a vítima seja levada imediatamente ao serviço de saúde mais próximo para que possa receber o tratamento em tempo.

Mito ou Verdade: As picadas da maioria dos escorpiões não necessitam de nenhum tratamento especial. Colocar gelo sobre a ferida reduz a dor, da mesma forma que um unguento que contenha uma combinação de um anti-histamínico, um analgésico e um corticosteróide. 

Eduardo Caldas: A afirmação é parcialmente verdadeira, embora somente um profissional saberá afirmar se um determinado escorpião é perigoso ou não. Na dúvida procure atendimento médico o mais rápido possível. Não há evidências disponíveis de que o gelo alivie os sintomas. Demais medicamentos devem ser prescritos por um médico.

Lagarta – O local do acidente pode ser lavado com água fria ou gelada e sabão! Não fazer torniquete ou garrote, não furar, não cortar, não queimar, não espremer, não fazer sucção no local da ferida e nem aplicar folhas, pó de café ou terra sobre ela para não provocar infecção. Também não ingerir bebida alcoólica, querosene ou fumo; levar o indivíduo imediatamente ao serviço de saúde mais próximo para que possa receber o tratamento em tempo.

Dependendo da lagarta, os sintomas podem ser tratados com medidas para alívio da dor, como compressas frias ou geladas. Nos casos de suspeita de acidente coma lagarta do gênero Lonomia (ocorrência de dor de cabeça, náusea e vômito, sangramento na gengiva ou em feridas recentes) o paciente deve ser levado ao serviço de saúde o mais rapidamente possível para se avaliar a necessidade de soro antilonômico.

Mito ou Verdade: Passe uma pomada a base de corticoides. Se tiver febre tome umas gotas de Dipirona.

Eduardo Caldas: Somente utilize medicamentos sob orientação médica.

Serpentes – Nem todas as espécies de serpentes causam envenenamentos graves. Para as que causam, o tratamento é feito com o soro específico para cada tipo de envenenamento. Os soros antiofídicos específicos são o único tratamento eficaz e, quando indicados, devem ser administrados em ambiente hospitalar e sob supervisão médica. Como para todos os demais soros, não se recomenda o uso destes fora do ambiente hospitalar, pois a aplicação deve ser feita na veia e, sendo ele produzido a partir do plasma sanguíneo de cavalos, ao ser injetado no organismo humano, pode provocar reações alérgicas que precisam ser tratadas imediatamente. Além disso, é preciso conhecer os efeitos clínicos dos venenos para se indicar o tipo correto e a quantidade de soro adequada para a gravidade.

Mito ou Verdade: Retire o veneno, colocando a sua boca contra a ferida e chupe o sangue.

Eduardo Caldas: Ao ser injetado na vítima, a peçonha das serpentes caem imediatamente na corrente sanguínea e se espalha pelo corpo. Portanto, chupar, cortar ou aplicar substâncias estranhas no local da mordedura não extrairá a peçonha. Também não se deve fazer torniquete ou amarrar o membro atingido, pois a concentração da peçonha em um só lugar irá agravar o quadro local, podendo ocasionar até mesmo a amputação deste membro.

Águas-Vivas e Caravelas – Em casos de acidentes com águas-vivas e caravelas, primeiramente, para alívio da dor inicial, devem ser utilizadas compressas geladas (pacotes fechados de gelo, envoltos em panos, ou água do mar gelada, se disponível). Em seguida, o local da lesão deve ser lavado com ácido acético a 5% (vinagre, por exemplo), sem esfregar a região acometida, e, posteriormente, compressa do mesmo produto deve ser aplicada por cerca de 10 minutos, para neutralizar as células que contem veneno.

É importante que não seja utilizada água doce para lavagem do local da lesão, nem para aplicação das compressas geladas, pois a água doce pode piorar o quadro do envenenamento. Em casos de acidentes com águas-vivas e caravelas, os pacientes devem procurar assistência médica para avaliação clínica do envenenamento e, se necessário, realização de tratamento complementar. A remoção dos tentáculos aderidos à pele deve ser realizada de forma cuidadosa, preferencialmente com uso de pinça ou lâmina.

Mito ou Verdade: Use urina para limpar o local atingido pelos tentáculos da água viva 

Eduardo Caldas: Não há evidências de que a utilização de urina alivie os sintomas de acidentes com águas-vivas. Para desativar as células do tentáculo o melhor é utilizar vinagre, e bolsas fechadas de gelo para aliviar a queimação.

Na dúvida sobre o melhor socorro a vítima, procure imediatamente atendimento médico.

Gabi Kopko, para o Blog da Saúde

 

2010 / 2016 - Laboratório central | Todos os direitos reservados - SAC 37 3222-7700