Quando o exercício vira fator de risco

A ânsia para atingir a perfeição em pouco tempo pode deflagrar problemas no organismo, que vão desde pequenas lesões até traumas graves solucionados apenas com intervenção cirúrgica (veja arte). Articulações, ligamentos e músculos de ombros e joelhos são as grandes vítimas da prática inadequada de atividade física, segundo o ortopedista especialista em medicina esportiva e traumatologia do Hospital Israelita Albert Einstein, Dan Oizerovici.

Uma lesão ocorre repentinamente, de forma aguda, ou lentamente, de modo crônico. Pode variar de uma distensão muscular leve à ruptura de um ligamento, ao deslocamento articular ou até mesmo à fratura óssea. Segundo o especialista, a lesão do ligamento cruzado anterior do joelho, por exemplo, é bastante comum e altamente incidente em jogadores de futebol, mas pode acometer qualquer um que pratica atividades físicas de impacto.

Mas, atenção: um dano nos joelhos pode acarretar problemas em diferentes partes do corpo, além de vícios de postura e erros de marcha, que sobrecarregam outras articulações, como da coluna e do quadril.

Portanto, especialistas no assunto recomendam ter o máximo de cuidado antes de iniciar qualquer atividade física. A prevenção é o melhor remédio. “Para evitar complicações é preciso ter disciplina e associar técnica e alongamento ao preparo físico e cardiorrespiratório, tudo de forma progressiva e bem orientada. E lembrar que musculatura alongada e fortalecida minimiza o grau de lesões”, aponta o médico.

Oizerovici conta ainda que danos do tipo “overuse” ou de sobrecarga são os mais freqüentes, principalmente em academias. “Ocorrem quando os exercícios vão além do limite ou por abuso de peso ou pelo número exacerbado de repetições”, explica. Aliás, o esforço repetitivo – também conhecido como LER – é o grande inimigo de atletas e esportistas. “É um problema que pode progredir para quadros bem mais graves. Uma tendinite, por exemplo, pode evoluir para uma ruptura muscular.”

Mas cada modalidade esportiva ou física demanda cuidados específicos. Quem pensa, por exemplo, que para correr basta colocar um par de tênis e se aventurar em parques ou esteiras está enganado. Essa atividade provoca grande impacto nas articulações das pernas e dos pés e não é recomendada a pessoas que possuem algum tipo de desvio nos membros inferiores ou que estão muito acima do peso. Por isso, é importante verificar se não há restrições físicas ou fisiológicas para a prática de atividades. O spinning, modalidade de bicicleta feita em grupo na academia e que simula diferentes tipos de terrenos, é um perigo para quem tem anormalidades cardíacas, pois aumenta o risco de infarto e morte súbita.

Dor – Quem nunca sentiu uma dorzinha depois de praticar atividades físicas? Mas é bom lembrar que existem dois tipos de dor: uma que ocorre durante ou imediatamente após a prática do exercício e outra, conhecida popularmente como “dor do dia seguinte”, a Dor Muscular de Início Tardio.

Conforme explica o fisiologista especialista em medicina esportiva, Turíbio Leite de Barros, a primeira parece uma queimação e decorre do efeito do ácido lático acumulado no local. Já a segunda é resultante de um processo inflamatório ocasionado por microlesões dos tecidos musculares, provocadas por esforço imprudente ou acima do normal.

Mas existe uma alternativa para contornar esse problema: “A adoção diária de vitaminas e minerais, produtos abundantes em antioxidantes, contribui para a redução ou mesmo a neutralização do impacto da dor, uma vez que sua ação acelera a recuperação do músculo”.

 Fonte: Diário do Comércio – SP – http://www.dcomercio.com.br/

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