Primeiras palavras

Choro, sorriso, balbucio. Tudo isso já é comunicação para o bebê que terá um longo caminho – até os cinco anos – para a aquisição de vocabulário, formação de frases e diálogo fluente, inclusive, utilizando os fonemas R e L em palavras como “prato” e “classe”.

Ficar atento ao processo de aquisição de linguagem é fundamental para verificar se tudo está ocorrendo na fase certa ou se há problemas que precisam ser investigados e tratados. Como a fala está diretamente associada à audição, é importante observar a receptividade das crianças aos mais variados sons, no decorrer da infância. Esta avaliação pode ser feita quando o bebê ainda está na maternidade (triagem auditiva neonatal ou emissões otoacústicas) e/ou posteriormente, ao longo do seu desenvolvimento (audiometria tonal, por exemplo).

As causas mais comuns do distúrbio da fala são as perdas auditivas temporárias (como as causadas por infecções do ouvido) ou permanentes. Há ainda as inadequações alimentares e permanência de vícios (como chupar o dedo, uso prolongado de chupeta e mamadeira, entre outros) que podem comprometer o correto desenvolvimento da musculatura da face, dificultando a produção de alguns sons. O distúrbio na aquisição ou no desenvolvimento da fala pode ainda ocorrer por motivos neurológicos.

Atitudes positivas

  • Na hora da amamentação, posicione a criança sentada. Isso evita que o leite passe para a tuba auditiva e chegue ao ouvido, causando otites.
  • Estimule a criança a falar, quando deseja algo. Não se adiante a atendê-la simplesmente quando ela utilizar um gesto, como por exemplo, apontar quando desejar um objeto fora do seu alcance.
  • Sempre fale corretamente com a criança. Evite troca de letras e excesso de diminutivos.
  • Para corrigir a frase errada dita pela criança, basta repeti-la corretamente, sem chamar a atenção para o erro, mas enfatizando o acerto.
  • Siga a orientação do pediatra e, na época determinada, faça a inclusão de alimentos sólidos que exigem mastigação.
  • Não prolongue o uso da chupeta e da mamadeira. Se a criança utiliza a chupeta, restrinja-a apenas ao horário de dormir ou em momentos de dor e ansiedade. O limite para uso desses utensílios é até os dois anos.de idade.

Fique atento se:

  • nos primeiros três meses de vida o bebê não faz som algum ou balbucios;
  • ao completar um ano, a criança não emite nenhuma sílaba;
  • com dois anos, não nomeia objetos ou monta frases com duas ou três palavras;
  • quando ela começa a falar, realiza trocas de sons similares, por exemplo; “p” e “b” (pola ao invés de bola), “f” e “v” (fofo ao invés de vovó), entre outros;
  • no terceiro ano de idade, não se coloca como “eu”.

Marcadores importantes

Conheça, a seguir, o passo a passo do desenvolvimento da fala, nos primeiros três anos de vida da criança:

Primeiro mês

  • produz sons
  • sorri
  • acorda gritando ou chorando

Segundo mês

  • produz sons;
  • acorda gritando ou chorando
  • chora ao sentir desconforto
  • pára de chorar quando a mãe se aproxima ou fala com ela
  • olha para a pessoa que está à sua frente
  • segue pessoas com o olhar
  • sorri quando alguém sorri para ela

Terceiro mês

  • produz vogais prolongadas
  • chora de diferentes maneiras
  • brinca com as mãos
  • olha para os olhos de quem está com ela
  • acompanha objetos em movimento com os olhos

Sexto mês

  • produz vogais prolongadas
  • localiza a fonte sonora
  • produz sons com variação de entonação
  • repete o som que produz
  • tenta pegar objetos pequenos quando os vê
  • sorri quando alguém sorri para ela
  • reconhece a voz da mãe
  • estende a mão para objetos que lhe são oferecidos
  • procura objetos que lhe caem da mão

Nono mês

  • emite sílabas
  • balbucia sílabas repetidas
  • aumenta o balbucio quando falam com ela
  • imita sons feitos por outras pessoas
  • olha objetos a seu redor
  • estranha algumas pessoas
  • rejeita confinamento
  • desfruta do banho
  • grita para conseguir atenção
  • imita ações motoras realizadas por outras pessoas

Um ano

  • emite sílabas repetidas
  • imita sons produzidos por outras pessoas
  • emite, pelo menos, três palavras com significado
  • aponta para pedir coisas
  • atende a ordens simples com gesto
  • reage ao “não”
  • grita para chamar a atenção
  • percebe quando a mãe está para sair
  • realiza movimentos quando solicitados por alguém
  • pega um brinquedo de volta quando cai
  • brinca com objetos
  • explora cavidades

Um ano e três meses

  • repete palavras emitidas pelo interlocutor
  • emite sons como sussurros, murmúrios, chiados etc
  • fala o nome de objetos conhecidos
  • emite duas palavras juntas
  • executa ordens exclusivamente verbais, sem precisar do modelo
  • imita ações realizadas por outras pessoas
  • brinca com brinquedos
  • explora o mesmo objeto de diferentes maneiras

Um ano e meio

  • fala o nome de objetos conhecidos
  • emite duas ou três palavras juntas
  • entende situações de proibição
  • procura objetos ausentes
  • aguarda para ser atendida em suas necessidades
  • brinca com crianças como se fossem objetos

Dois anos

  • fala o nome de objetos conhecidos, apontando-os
  • quando quer algo, utiliza-se da fala para pedir
  • emite frases com três palavras
  • produz alguns sons, dando a impressão de estar conversando
  • fala enquanto brinca
  • usa o próprio nome
  • inventa brincadeiras com carrinhos ou bonecas

Dois anos e meio

  • emite frases de três palavras
  • escuta conversa e tenta responder
  • pergunta constantemente o nome dos objetos
  • aponta partes do corpo quando solicitada verbalmente
  • entende histórias
  • propõe brincadeiras
  • agrupa objetos iguais

Três anos

  • comunica-se por frases
  • refere-se a si mesma como “eu”
  • usa os pronomes possessivos
  • sabe dizer para que servem os objetos
  • pede explicações de fatos que ocorreram
  • tenta contar fatos acontecidos
  • mantém diálogos curtos
  • responde a questões simples formuladas com “quem” ou “o quê”
  • atende a ordens envolvendo noções espaciais
  • brinca por um tempo com outra criança
  • percebe diferentes cores
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