Pré-eclampsia na gravidez – causas e controle da pressão alta

Um dos grandes perigos durante a gravidez é a pressão alta, que gera um quadro clínico chamado de pré-eclampsia, quando se registra o aumento da pressão arterial no terceiro trimestre da gravidez. “Os principais sintomas do problema são inchaço, espuma na urina, dor de cabeça e de estômago, convulsão, dores abdominais, vista embaralhada. Para manter a situação sob controle, o acompanhamento pré-natal, principalmente no final da gestação, é fundamental”, esclarece a ginecologista Dra. Rosa Maria Neme.

Quando se registra o aumento da pressão, o tratamento inicial envolve repouso, medicamento e dieta com pouco sal. Nos casos mais graves, que podem evoluir para eclampsia, com risco de morte para a mãe e o bebê, o médico pode antecipar o parto. 

“É preciso estar muito alerta, no caso de mulheres que possuem histórico familiar de hipertensão, para evitar qualquer alteração em seu quadro clínico. Mas, se a pressão subir muito, é recomendável a internação e administração de remédios, que não prejudicarão o bebê, para controlar a pressão arterial desta paciente”, completa Dra. Rosa.

Sobre esse assunto, ela responde às principais dúvidas, na entrevista abaixo.

1- O que deve ser feito quando a mulher já tem histórico de pressão alta antes da gravidez? Ela pode continuar a tomar os medicamentos de controle?

Quando a mulher já tem pressão alta antes da gravidez, ela deve manter a medicação durante toda a gestação. A única orientação é ajustar as medicações nesses meses, de acordo com as orientações do obstetra. Às vezes, alguns medicamentos não devem ser usados no início deste período por causarem problemas de malformação no feto e podem ser adotados novos remédios. Por isso, é necessário realizar um controle bem rigoroso da pressão durante todo o pré-natal.

2- O aumento da pressão arterial pode ser acionado quando a mulher engorda demais durante a gravidez?

Sim, porque o aumento de peso corporal pode piorar o controle dos níveis pressóricos.

3- Como essa pressão arterial alta pode influenciar no desenvolvimento do feto?

A pressão alta pode causar um amadurecimento acelerado da placenta, diminuição da nutrição do embrião durante a gravidez, o que causa uma diminuição do crescimento do feto, redução na quantidade de líquido amniótico e pode causar ainda descolamento da placenta nas fases finais da gravidez com risco de morte do feto, entre outros problemas.

4- Quais os fatores durante a gravidez que podem desencadear esse quadro de pré-eclampsia?

Há vários fatores, entre os quais podemos destacar: 1) pacientes gestantes pela primeira vez são mais sujeitas a terem pré-eclâmpsia e 2) mulheres com antecedente de pressão alta fora da gravidez, com tendência familiar para pressão alta, que aumentam muito o peso na gravidez, com doenças concomitantes, como diabetes gestacional.

5- Por que na primeira gestação a mulher tende a ter pré-eclampsia?

Em geral, isso ocorre por uma alteração celular na própria placenta e as mulheres primigestas estão mais expostas a este tipo de problema.

6- Alguma atividade física pode ajudar no controle da pressão? E a ingestão de líquidos?

Tanto a atividade física regular quanto a alimentação adequada e ingestão de líquidos podem favorecer no controle de ganho de peso da gestante e, com isso, diminuir as chances de uma descompensação da pressão arterial.

7- O inchaço está localizado nos pés e pernas ou pode atingir outras regiões do corpo, como mãos e braços?

Em casos mais graves, o inchaço pode acometer, além de membros inferiores, os membros superiores e a face.

8- Pré-eclampsia pode provocar aborto ou parto prematuro?

Aborto não, pois a pré-eclâmpsia é uma doença do final da gestação. Mas pode favorecer o parto prematuro, pois se há risco para o bebê, a gestação precisa ser interrompida, com maiores chances de prematuridade.

9- Este quadro de pressão arterial alta pode deixar sequelas tanto na mulher quanto no bebê?

Se houver um retardo de crescimento importante, ou ainda descolamento da placenta, isto pode causar no feto desde um retardo de desenvolvimento, quanto o óbito. Na mãe, pode haver um risco aumentado, em 40%, de desenvolver pressão alta no futuro mesmo fora da gestação.

Fonte

Rosa Maria Neme (CRM SP-87844) – Graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (1996) e doutorado em Medicina na área de Ginecologia pela Universidade de São Paulo (2004). Realizou residência-médica também na Universidade de São Paulo (2000). Além de dirigir o Centro de Endometriose São Paulo, ela integra a equipe médica do Hospital Israelita Albert Einstein, Samaritano, São Luiz e Sírio Libanês.

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