Os idosos realmente têm necessidade de menos horas de sono por dia?

O padrão normal do sono entre idosos ainda é uma questão polêmica e a principal razão é o fato de que algumas pesquisas incluem em suas análises idosos com problemas de saúde, enquanto outros estudos só analisam indivíduos saudáveis. Isso faz toda a diferença, pois a presença de uma doença crônica pode ser o suficiente para fazer que o idoso tenha uma tendência a dormir mais.

646364 sxc Os idosos realmente têm necessidade de menos horas de sono por dia?Uma das poucas pesquisas realizadas até o momento para analisar o padrão de sono entre idosos sem qualquer tipo de doença foi feita em Brasília e liderada pelo geriatra Einstein Camargos do Centro de Medicina do Idoso da Universidade de Brasília. O estudo demonstrou que entre idosos moradores de Brasília, sem qualquer problema de saúde ou uso de medicamentos, quase 90% deles tinham um sono de boa qualidade, qualidade medida por um instrumento de análise subjetiva do sono. Os resultados são diametralmente opostos aos encontrados nos estudos que incluem pessoas doentes.

A pesquisa de Brasília revelou que os idosos dormem uma média de 6,8 horas por noite, cerca de uma hora a menos de sono da população de adultos no Brasil. Quase 90% iam para a cama após as 22h, contrariando a crença de que os idosos dormem com as galinhas, e a maioria não tinha dificuldade em pegar no sono, dormiam em menos de meia hora. Cerca de metade dos idosos estudados levantava-se uma ou mais vezes durante a noite e ainda tirava cochilos durante o dia.

Os resultados são concordantes com estudos internacionais que nos demonstram cada vez mais que os idosos realmente precisam de um pouco menos de sono noturno para se sentirem dispostos durante o dia. A situação de um idoso que está dormindo demais deve sempre levantar a suspeita de que um problema de saúde pode ser a razão para esse comportamento. Além das doenças, devemos sempre estar atentos ao fato de que idosos pouco estimulados com atividade física, lazer e convívio social, costumam ter mais problemas de sono. Quando se pensa em insônia crônica, deve-se lembrar que esse é um problema que está associado a um maior risco de diabete, obesidade e doenças vasculares, como o enfarte do coração e o derrame cerebral.

Por Ricardo Teixeira

Doutor em neurologia e pesquisador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Dirige o Instituto do Cérebro de Brasília e é o autor do Blog “ConsCiência no Dia-a-Dia”.

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