Os benefícios e riscos da reposição hormonal

A terapia ajuda a reduzir os sintomas da menopausa e o ritmo das mudanças relacionadas ao envelhecimento. Mas há riscos que precisam ser avaliados.

Passam-se os anos, multiplicam-se os estudos, e a terapia de reposição hormonal permanece um tema polêmico, gerando dúvidas entre as mulheres. Há os que defendem a reposição hormonal como um recurso que vai resolver todos os sintomas da menopausa, evitar doenças cujos riscos aumentam com a redução do estrógeno (hormônio feminino) e retardar o envelhecimento da pele, entre outros. No lado oposto estão os que a condenam com veemência, como potencializadora de males como câncer de mama, infarto e derrame. Há mitos e verdades nesses dois territórios. Portanto, o que deve prevalecer é a posição de equilíbrio, que passa ao largo de radicalismos e se apoia em evidências científicas.

Embora algumas mulheres façam uma transição tranquila para a menopausa, boa parte sofre com as mudanças físicas, metabólicas e neuropsíquicas. Sintomas como ondas de calor, irritabilidade e quadros depressivos podem emergir ainda na pré-menopausa. Depois, aparecem outros: alterações na textura e tônus da pele e atrofia das mucosas, com ressecamento vaginal e maior suscetibilidade a infecção urinária, perda da libido, insônia e dores nas articulações. A redução do hormônio estrógeno também pode favorecer doenças cardiovasculares e perda óssea (osteopenia e osteoporose), apesar de ainda não haver estudos conclusivos sobre os efeitos da reposição hormonal para tratar esses males.

Inúmeras outras pesquisas, porém, são definitivas ao apontar os benefícios da terapia hormonal para atenuar sintomas e desacelerar as transformações relacionadas à menopausa. As Sociedades Norte-Americana de Menopausa e Brasileira do Climatério, por exemplo, recomendam a suplementação de hormônio para minimizar as ondas de calor, o envelhecimento da pele e a atrofia urogenital. Os geriatras apontam que a mulher de vida saudável que recebe um tratamento hormonal adequado chega aos 60 anos com menos doenças típicas da idade.

Embora algumas mulheres façam uma transição tranquila para a menopausa, boa parte sofre com as mudanças físicas, metabólicas e neuropsíquicas.

A terapia é contra-indicada para mulheres com histórico de câncer de mama ou endométrio, trombose, distúrbios de coagulação sanguínea, infarto e sangramento genital de causa desconhecida. Na mulher com útero, associa-se estrogênio e progestagênio, pois o uso isolado do estrogênio eleva o risco de câncer de endométrio. É importante ainda observar o tempo de tratamento. Segundo o estudo norte-americano Women’s Health Iniciative, após 5 anos aumenta o risco de câncer de mama e doenças cardiovasculares.

A maioria das mulheres colherá ganhos importantes com a terapia hormonal, feita com critério e acompanhamento médico. Mas haverá casos em que isso será contra-indicado. Não há uma resposta universal aplicável a todas as mulheres e cada uma deve ser avaliada de forma personalizada. Definir caso a caso os benefícios e riscos de acordo com o histórico de cada paciente é a melhor forma de se posicionar a favor ou contra a terapia de reposição hormonal.

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