Obesidade infantil

Veja aqui algumas questões importantes  respondidas por especialistas em obesidade infantil

1. Como pode ser feita a avaliação do consumo alimentar ou da dieta alimentar na adolescência?

A avaliação poderá ser feita através de um registro alimentar de 3 a 10 dias, recordatório de 24h e através do questionário de freqüência alimentar, instrumentos que podem orientar quanto à ingestão calórica quantitativa e qualitativa. É importante documentar a freqüência das refeições, horários intermediários às refeições principais, visitas a lanchonetes, restaurantes e festas, assim como, os responsáveis pelo preparo das refeições e compras de alimentos semanais e mensais.

2. Como auxiliar o adolescente obeso na escolha da sua dieta?

Para orientar o adolescente com sobrepeso ou obeso e ajudá-lo na escolha de alimentos menos gordurosos e mais saudáveis, o uso da Pirâmide dos Alimentos poderá ser de grande contribuição. Essa escolha de alimentos naturais e adequados deverá ser associada à de alimentos industrializados. Na adolescência, as orientações visam, principalmente, a manutenção do peso com oferta normocalórica.

3. Qual a média de tempo esperado para a adesão do adolescente à nova dieta?

A expectativa é de que num período mínimo de 1 a 2 anos e com acompanhamento mensal o adolescente possa ter aprendido a comer de forma mais adequada em termos de horários, quantidade e qualidade de alimentos, tempo necessário à adequação do seu peso à sua altura, já que se encontra em fase de crescimento. A perda de peso em fase de crescimento além de reduzir o tecido adiposo reduz o tecido magro, interferindo na curva de crescimento. A manutenção do peso atual com crescimento em altura normal permite a adequação da relação peso/ altura e o índice de massa corporal (IMC), exceto nos casos em que o crescimento estatural esteja desacelerado, onde é necessária a perda de peso.

4. Qual a distribuição ideal dos macronutrientes na dieta do adolescente?

Com relação às gorduras da dieta: limitar a 25%-30% do valor calórico total diário, através do controle e/ou diminuição da ingestão de alguns tipos de preparações e alimentos como: frituras, milanesas, sobremesas com cremes ou alto teor de gorduras, embutidos (salames, salsichas), maionese, chocolates, creme de leite, manteiga ou margarina, bolachas recheadas e salgadinhos, uso de óleo nos refogados.

Os carboidratos ou açúcares: deverão ser oferecidos na forma complexa, ou seja, pão, batata, outros tubérculos e raízes, além de macarrão e arroz , preparados com pouca gordura e controlados na quantidade, sendo liberado o consumo de verduras e legumes com menor teor de carboidrato (folhas, abobrinha, quiabo). A preferência na oferta de carboidratos complexos visa o consumo adequado de fibra dietética com vistas a reduzir a ingestão calórica, aumentando a sensação de saciedade. Os glicídios simples (açúcar, doces em calda, compotas, doces de corte, refrigerantes e balas) deverão estar limitados. Em compensação o consumo liberado de frutas é preconizado. Os carboidratos simples e complexos poderão participar com 50% a 55% do valor calórico total diário.

As proteínas: oferecer através de leite semi-desnatado, preferencialmente adicionados de vitaminas liposolúveis (A, D e E), frango sem pele, peixe e carne bovina magra. Seu percentual com relação ao valor calórico diário poderá ser de 20% a 25% . Tais percentuais, considerados elevados em relação a uma dieta padrão, evitam o balanço nitrogenado negativo e a perda de massa muscular.

5. Como auxiliar o adolescente frente sua alimentação e a criação de novos hábitos?

1. Aconselha-se 3 refeições básicas (café da manhã, almoço e jantar) e 2 lanches (manhã e tarde). Evitar longos períodos de jejum pois a omissão de refeições provoca fome incontrolável e não contribui para a perda de peso; 2. Nos lanches, sempre que possível, utilizar frutas ou suco integral (s/ açúcar) de frutas. Descobrir frutas que goste para alimentar-se nos intervalos das principais refeições. Evite utilização diária de biscoitos, doces, salgados (estes devem ter dias estabelecidos); 3. Procurar mastigar mais devagar os alimentos, sentindo o sabor. Quem come rápido tem a tendência de comer maior quantidade de todos os alimentos;

4. Procurar diminuir a quantidade dos alimentos mais calóricos como: bolos, refrigerantes, pizza, massas, salgados, doces, amendoim, chocolates, maionese, creme de leite, salgadinhos, tortas, doces, outros. Consumir esses alimentos em dias e horários pré-estabelecidos:;

5. Retirar a gordura aparente das carnes brancas e vermelha;

6. Evitar o consumo diário de embutidos (salame, salsichas, presuntos);

7. Substituir manteiga pelo creme vegetal com pouco sal;

8. Evitar beber líquidos durante as refeições (água, refrigerantes ou sucos). Use 30 minutos antes ou 1 hora após;

9. Praticar atividade física 2 a 3 vezes na semana; andar cerca de 20 a 30 minutos por dia;

10. Retornar para avaliação a cada 30 a 40 dias relatando os excessos alimentares (freqüência a aniversários e festas). As dificuldades com alimentos apreciados é preciso considerar e substitui-los.

6. O exercício físico traz benefícios aos adolescentes obesos?

Pesquisas relacionando a importância do exercício físico no tratamento da obesidade na infância e adolescência são muito limitadas, especialmente os benefícios a longo prazo no controle do peso. Os estudos disponíveis sugerem que somente o exercício não é suficiente para o controle da obesidade, sendo mais eficaz a combinação de controle alimentar e exercício a longo prazo. Essa combinação apresenta resultados positivos devido ao aumento da massa muscular, aumento da taxa metabólica basal e do gasto energético diário, resultando em efeitos desejáveis na imagem corporal e auto-estima. A perda de peso apenas com restrição calórica, sem atividade física, determina perda de 30% da massa magra, responsável por 60% do gasto metabólico de repouso.

7. O que deve mudar no estilo de vida?

A proposta de mudança no estilo de vida sedentário requer a limitação de tempo para atividades como assistir televisão, uso de computador e vídeo games, atitude esta que pode ser mais importante do que programas de atividade física, principalmente quando o adolescente não aprecia esta prática. A recomendação de atividade física requer algumas considerações como: que o esporte seja divertido, que a proposta seja do agrado e realizada com outros adolescentes, que a família possa participar incentivando ou praticando, não prejudique os estudos, seja desenvolvida em grupos para melhorar as relações sociais.

8.Quais as recomendações para atividades físicas?

Uma recomendação razoável para a maioria dos adolescentes pode ser 20 a 30 minutos/dia de atividade física moderada (caminhar, dançar, nadar ou andar de bicicleta). O gasto energético em adolescentes pode ser mais eficientemente aumentado através do aumento das atividades diárias e recreação, do que por competição ou exercícios direcionados. O esporte ou atividade física dispersa a ansiedade excessiva em alguns adolescentes. Adolescentes obesos geralmente apresentam problemas de adesão a programas de exercícios a longo prazo, talvez porque nessa faixa etária a preferência seja por atividades escolhidas por eles mesmos. A escolha pessoal é importante, pois faz com que se sintam mais responsáveis pela decisão.

9. Quais são os fatores de bom prognóstico para a perda de peso do adolescente?

– Vontade própria em reduzir o peso;
-Participação e apoio da família;
-Bom relacionamento profissional (is) / paciente;
-Orientação alimentar de acordo com hábitos da família;
-Retornos periódicos para acompanhamento médio de 1 a 2 anos.

10. Quais os fatores de mau prognóstico para perda de peso do adolescente?

– Consumo excessivo de alimentos com alta densidade calórica nos horários habituais e várias vezes na semana.
– Falta de refeições formais; falta de atividade física; tendência a adotar atividades de lazer sedentárias; falta de sensibilização da família para o problema.

11. Quando a obesidade estiver associada à ansiedade ou compulsão alimentar, como proceder?

– É necessário procurar a ajuda de um profissional psicólogo especializado para diagnosticar a causa da ansiedade e juntamente com a família tratar de forma adequada à ansiedade ou compulsão.

Núcleo Gerencial do Departamento de Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria

Maria Conceição Oliveira Costa
Eloisa Barreto Bacelar
Pierry Fábio Cavalvante Coni2

1. Professora Titular do Departamento de Saúde – Universidade Estadual de Feira de Santana,Ba; Doutora – UNIFESP; Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas na Infância e Adolescência – NNEPA-UEFS
2. Alunos de Iniciação Científica – PIBIC, PROBIC, NNEPA-UEFS

2010 / 2016 - Laboratório central | Todos os direitos reservados - SAC 37 3222-7700