O peso da hereditariedade

Mark Shitke, pesquisador californiano que esteve no Hospital das Clínicas de São Paulo, em 1978, reuniu 400 jovens e monitorou a maneira como bebiam e reagiam ao álcool. Previamente, o grupo foi dividido em 2 subgrupos: 200 jovens eram filhos de alcoólicos e 200, filhos de não-alcoólicos. A cada um deles era permitido beber até 5 doses de uma bebida destilada.

A conclusão do autor, nessa etapa da pesquisa, foi que os filhos de alcoólicos chegavam à 5ª dose com poucos sinais de embriaguez, indicando possuir maior tolerância ao álcool, enquanto os filhos de não-alcoólicos, na 3ª dose, estavam embriagados.

Em 1988, Shitke reuniu novamente esses jovens e verificou que apresentavam sintomas de alcoolismo os tinham resistido até a 5ª dose, coincidentemente ou não, os filhos de alcoólicos.

A 3ª etapa da pesquisa foi realizada em 1998, mas os resultados ainda não foram divulgados. Shitke está interessado, agora, em avaliar o que aconteceu com os descendentes desses jovens e sua tendência ao alcoolismo.

Uma pesquisa realizada nos EUA com rapazes de 17/18 anos, filhos de alcoólicos, comparados com um grupo-controle constituído por filhos de não-alcoólicos, levou à seguinte conclusão: os filhos de alcoólicos, que tinham passado por experiências amargas e traumatizantes em casa, eram completamente abstêmios aos 17 anos, enquanto os outros, filhos de pais que não bebiam, às vezes se embriagavam quando iam a festas. Entretanto, 20 anos mais tarde, o acompanhamento dessa população demonstrou existir muito mais dependentes de álcool entre os filhos de alcoólicos, exatamente aqueles que tinham prometido nunca beber. “O que se sabe é que 70% dos alcoólicos têm em sua história familiar, parentes próximos (pais, mães, tios, avós, primos) com problemas de alcoolismo”, foi a conclusão a que chegou o autor da pesquisa.

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