O fim da picada

NESTA ÉPOCA DO ANO, A TEMPERATURA SOBE, E OS MOSQUITOS SE MULTIPLICAM. MOSTRAMOS COMO DIMINUIR AS CHANCES DE SEU PEQUENO SE TORNAR VÍTIMA DE PICADAS DOLORIDAS E FICAR LONGE DE DOENÇAS MAIS GRAVES, COMO A DENGUE E A FEBRE AMARELA

POR SAMANTHA MELO, FILHA DE SANDRA E TIÃO

Você já desconfiava: as crianças são as vítimas preferenciais dos mosquitos. Além de ficar mais ao ar livre, elas estão na altura ideal para o bombardeio, porque os insetos voam baixo. O melhor é evitar ser picado, claro. Mosquiteiros, telas nas janelas e repelentes ajudam bastante. Em geral, as picadas não causam consequências mais graves, mas é preciso ficar atento. Ao se coçar, os pequenos podem causar ferimento e levar bactérias e outros microorganismos para o local, causando infecções que, se não tratadas, podem ser sérias. Se o machucado não cicatriza e começa a formar bolhas ou uma crosta amarelada, corra para o médico. Pode ser impetigo, uma infecção bacteriana altamente contagiosa, purulenta (com pus) e que, em casos extremos, pode causar sepse (infecção generalizada).  Normalmente, basta aplicar pomadas antibióticas, mas pode ser que seu filho precise tomar remédios por via oral ou em injeção. Como, pela nova determinação da Anvisa, é preciso ter receita para  comprar antibióticos, não adianta conversar com o médico por telefone. Você vai precisar levá-lo ao consultório ou a um pronto-socorro.

Durante as férias, você pode descobrir que seu filho é alérgico à picada de algum tipo de inseto. De repente, aparecem marcas avermelhadas (estrófulos) pelo corpo. Dependendo do grau da reação, pode haver choque anafilático: a garganta incha a ponto de a criança não conseguir respirar. Não é para entrar em pânico, mas é importante saber como agir nessas situações. Se seu filho estiver com dificuldade de respirar, chiadeira no peito, boca e língua inchados, coração acelerado, dor no  estômago, pele fria e úmida, urticária, se sentir enjoado e vomitar ou até desmaiar, pode ser uma  reação à picada. Até que o médico chegue, mantenha a criança deitada com a parte do corpo que foi picada abaixo do nível do coração e com o pescoço levemente estendido para facilitar a passagem de ar. Levante as pernas acima do nível do tórax para aumentar o fluxo sanguíneo para o coração e o cérebro. Proteja-a com um cobertor e tente acalmá-la. 

Dengue e Febre Amarela
Contra a dengue não existe vacina, apenas tratamento sintomático. No Brasil, a morte por dengue cresceu 90% em 2010. De acordo com o Ministério da Saúde, esse aumento se deve à volta da circulação de um tipo comum no final dos anos 1990, e contra o qual não temos imunidade. A infestação de larvas do Aedes aegypti também aumentou em vários municípios.

A Febre Amarela é endêmica, ou seja, ocorre apenas em determinados locais. É encontrada nas regiões tropicais da África e América do Sul. No Brasil, o maior número de registros foi em Minas Gerais, Goiás, Maranhão, Pará e Amazonas. Se você tem viagem programada para esses locais, precisa se vacinar com 10 dias de antecedência. Crianças a partir de 6 meses de idade já podem ser imunizadas. A proteção dura 10 anos. A vacina é oferecida gratuitamente em postos públicos (informe-se no site da Anvisa: www.portal.anvisa.gov.br).

Os insetos
Insetos comuns: mosquitos, pernilongos, pulgas e aranhas não-venenosas. A picada causa uma leve dor, inchaço, vermelhidão e coceira. Mas muitas crianças são alérgicas e as reações acima podem ser um pouco mais intensas. Além disso, há alguns mosquitos que são vetores de doenças graves, como a Febre Amarela e a dengue, ambas transmitidas pelo Aedes aegypti. O que fazer. Faça compressas geladas para diminuir a inflamação e reduzir a dor e a coceira. Uma loção de calamina pode ajudar também. Já no caso de uma possível reação alérgica, corra para o médico, que avaliará como proceder. Converse com o pediatra antes de administrar anti-histamínicos e antialérgicos. 

Aedes aegypti. Transmite a Febre Amarela, cujos sintomas iniciais são febre alta, dor de cabeça e muscular, cansaço, calafrios, sensação de mal-estar, náuseas e vômitos. Com o devido cuidado, após três dias, a maioria dos doentes se recupera e fica imunizada contra a doença. Mas algumas pessoas que apresentam sintomas evoluem de forma grave, com risco de morte. Também é o mosquito transmissor da dengue, doença infecciosa febril. A dengue mais comum, a clássica, é uma forma mais leve da doença, semelhante à gripe. Geralmente, dura entre 5 e 7 dias. A pessoa infectada tem febre alta, dores de cabeça, manchas vermelhas na pele, dor muscular e nas articulações, indisposição, enjoos, vômitos, cansaço, dor abdominal (principalmente em crianças), entre outros sintomas. As evoluções da doença, a dengue hemorrágica (hemorragias nasais, gengivais, urinárias, gastrointestinais ou uterinas) e o choque da dengue (uma grande queda ou ausência de pressão arterial), podem levar à morte se não tratadas com rapidez. O que fazer.O tratamento requer bastante repouso e a ingestão de muito líquido. Também são usados medicamentos antitérmicos. Nos casos mais graves, são necessários soro e plasma e, às vezes, transfusão de sangue.

Aranhas venenosas. Alguns dos sintomas de choque anafilático (ou reação alérgica grave) são: urticária, tontura, queda de pressão, falta de ar e chiadeira no peito, rouquidão e sensação de aperto na garganta, perda da consciência e manifestações cutâneas. O que fazer. Leve o pequeno ao pronto-socorro imediatamente. Provavelmente, ele terá de tomar um soro antipeçonhento.

Formigas, vespas, marimbondos e abelhas. São os insetos que mais causam reações alérgicas, por causa do ferrão (que só a abelha deixa no nosso corpo). Os sintomas mais comuns após a picada são vermelhidão, inchaço, dor e coceira no local, que devem desaparecer após algumas horas. A reação local por picada de formiga pode induzir formação de bolha e ser mais duradoura. Borrachudos com frequência provocam reações locais dolorosas, com muita coceira e que permanecem por vários dias. O que fazer. No caso das abelhas, remova o ferrão imediatamente, espremendo-o com seus dois dedos. Não raspe o ferrão com a unha ou com uma faca. Nos outros casos, eleve a parte do corpo que foi picada e coloque uma compressa gelada no local. Não fure qualquer bolha que possa surgir. Limpe-a com água e sabão para evitar infecções. Creme de corticosteroide tópico e anti-histamínico oral podem ajudar a controlar a inflamação, se recomendados pelo pediatra. Em caso de reação alérgica, procure um médico.

Melhor previnir

* Usar tela nas portas e janelas

* Evitar locais onde é mais frequente a presença de insetos que picam, como jardins, campos, árvores, porões, beiras de telhados, proximidades de lixeiras etc.

* Usar camisas e calças compridas quando estiver em local com risco de picada

* Usar repelentes tópicos

* Não andar descalço fora de casa

* Usar inseticidas no quarto e nos ralos

* Evitar perfumes, desodorantes, loções, talcos ou óleos perfumados

* Evitar roupas de cores vivas. As cores branca, verde e azul atraem menos insetos

* Antes e durante a viagem, tomar vitaminas do Complexo B

* Mandar, periodicamente, alguém procurar e destruir focos ou colmeias próximas da casa ou local de trabalho

* Eliminar plantas e outros depósitos de água parada (onde são depositados os ovos dos insetos) na casa e em suas proximidades

* Manter cães e gatos livres de pulgas

* Manter as vacinas atualizadas

Consultoria: José Roberto Zimmerman, pai de Natalia, é alergista e pneumologista e diretor da clínica Alergo Ar. TEL.: (21) 3515-0808, www.alergoar.com.br. Silvio Luiz Zuquim, pai de Arthur e Louise, é pediatra, Chefe do Pronto Socorr o Infantil da Santa Casa -SP e consultor da Johnson & Johnson. TEL.: (11) 2176-7000,www.santacasasp.org.br.

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