MITOS E VERDADES

Manga com leite faz mal? Chocolate dá espinha? Estas e outras tantas dúvidas relacionadas à saúde atravessam gerações. Mas como saber o que é mito e o que é verdade?

1. Comer alho resolve o problema de hipertensão?

MITO:

A inclusão de alho pode ser feita na alimentação de um hipertenso, em geral sem qualquer contraindicação, mas os estudos sobre sua ação no controle da pressão arterial ainda não são conclusivos. A hipertensão é uma doença que precisa ser tratada com cuidado, e alguns fatores que comprovadamente contribuem para o aparecimento da pressão alta devem ser modificados, como o excesso de peso, tabagismo, sedentarismo, estresse, e o consumo em excesso de bebidas alcoólicas, de cafeína (café, chá mate/verde/preto, refrigerante a base de cola e guaraná), de gordura saturada (carnes em geral e lácteos integrais) e de sódio (embutidos, enlatados, frios, conservas, caldos concentrados, shoyu), etc. O consumo adequado de cálcio (presente em lácteos, preferencialmente desnatados), e também de potássio, fibras e magnésio (presente em verduras, legumes, saladas e frutas) auxilia no controle da pressão arterial e deve acontecer diariamente. Além disso, muitas vezes pode também ser necessário o tratamento da hipertensão com medicamentos.

Fonte: Carla Yamashita

2. Praticar atividade física ajuda a combater a insônia?

VERDADE

Combinado a uma alimentação fracionada e equilibrada durante o dia todo, o exercício físico pode ajudar no gerenciamento do estresse, tornado-se coadjuvante no tratamento de distúrbios de sono no médio e longo prazos. No entanto, atenção: se os treinos de maior carga forem feitos próximos à hora de dormir, o efeito pode ser o contrário. Nestes casos, o exercício físico pode manter o corpo em “situação de atividade”, impedindo um completo relaxamento para o sono.

Fonte: Páblius Staduto Braga Silva, médico do Esporte

3. Pelos de animais de estimação provocam alergia?

MITO

Os animais de estimação mais comuns em nosso meio são os gatos e os cachorros. Mas, ao contrário do que muitos imaginam, não são seus pelos que provocam diretamente um quadro alérgico. Esses animais possuem substâncias em sua saliva que podem causar alergia em pessoas com predisposição a desenvolvê-la. Nos gatos, essa substância é conhecida como feld1, uma proteína que está presente principalmente na saliva do animal e acaba sendo espalhada por todo o seu corpo à medida que se lambe. Essa partícula se desprende dos pelos e se dispersa pelo ambiente onde o gato circula, aderindo a roupas, sofás, cobertores, colchões e tapetes. Um indivíduo alérgico, ao entrar nesse ambiente, passa a ter sintomas como coriza, espirros e coceira nos olhos e nariz, por exemplo. Com os cães não é diferente, apenas um pouco menos intenso. As proteínas que desencadeiam alergia, nesse caso, são a can f 1 e a can f 2, ambas presentes na saliva, também espalhadas pelo corpo do animal quando se lambe, e liberadas para o ambiente posteriormente.

Fonte: Ivani Mancini, pediatra

4. Chocolate diet não engorda?

MITO

O chocolate diet não tem açúcar, mas isso não implica em redução calórica significativa, já que sua consistência tradicional é conseguida com adição de mais gordura, principalmente do tipo hidrogenada (gordura trans). O consumo em excesso, portanto, pode elevar o colesterol, além de favorecer o ganho de peso. Uma dica para aqueles que não conseguem ficar sem comer chocolate é preferir a versão amarga. Além de conter maior quantidade de cacau, o chocolate amargo é rico em compostos polifenólicos, que possuem grande capacidade antioxidante e exercem papel importante na inibição de processos inflamatórios. Mesmo assim, recomenda-se ingerir com moderação. O ideal é que o consumo de açúcares e doces não ultrapasse duas porções ao dia, sendo que cada uma delas equivale a uma colher de sopa de açúcar ou 30 gramas de chocolate.

Fonte: Carla Yamashita, nutricionista

5. O chocolate influencia o humor?

VERDADE

O chocolate é um dos alimentos mais desejados do mundo, não só por seu sabor agradável, mas também por suas propriedades psicoativas, proporcionadas principalmente pelos componentes teobromina e cafeína, substâncias da classe das metilxantinas, que são capazes de estimular o sistema nervoso central. A estes estimulantes também estão associados o prazer sensorial, como o gosto doce, a textura cremosa e o aroma sensual. Algumas sensações afetivas, portanto, podem estar intimamente ligadas ao consumo de chocolate. Estudos relatam que sua ingestão, além de reduzir a fome, pode produzir, em curto prazo, bom humor. Mas, cuidado, pois o efeito inverso também pode acontecer: há estudos indicando que os efeitos emocionais do chocolate não são necessariamente positivos. Por seu alto teor calórico, algumas pessoas podem sentir culpa após ingerir esse alimento.

Fonte: Carla Yamashita, nutricionista

6. O chocolate pode causar ou agravar as espinhas?

MITO

As espinhas (acne) estão relacionadas à secreção oleosa da pele e, por isso, o chocolate e outros alimentos ricos em gordura já foram repetidamente apontados como causadores ou agravantes do problema. No entanto, não há nenhuma evidência específica de que o chocolate possa agravar ou até mesmo causar quadros de acne. Componente importante do chocolate, o cacau aparentemente não predispõe ao desenvolvimento de acne, conforme mostram estudos clínicos que compararam pessoas que ingeriram barras de chocolate contendo a substância a outras que receberam barras com a mesma composição de açúcares e gorduras, mas sem o cacau. Nesses casos, não houve diferença significativa entre os grupos no que diz respeito ao surgimento de acne. Desta forma, é consenso entre os especialistas que os dados científicos disponíveis atualmente são insuficientes para comprovar a correlação causal entre chocolate e espinhas.

Fonte: Maria Paula Muniz Tinoco, dermatologista

7. Fazer atividades domésticas ajuda a queimar calorias?

VERDADE

Assim como um exercício físico, as atividades domésticas ajudam a queimar calorias, e, por isso, também devem ser feitas com alguns cuidados: alongamento antes e depois e um período de descanso durante a atividade. Por exemplo: se ficar muito tempo realizando afazeres em pé, é necessário um intervalo de repouso de 15 minutos para cada 2 horas trabalhadas. Como num treinamento de musculação, também é importante distribuir as atividades durante a semana e deixar um ou dois dias de “repouso” para o lazer. Deve-se ainda evitar as tarefas que se acumulem em poucos dias da semana.

Fonte: Páblius Staduto Braga Silva, médico do Esporte

8. Fazer musculação engorda?

MITO

Musculação não engorda. Ao longo do tempo, como os músculos ficam mais fortes, o corpo pode ter um aumento de peso, no entanto, o percentual de gordura corporal estará, com certeza, menor. Dica importante: a musculação deve ser acompanhada de uma alimentação adequada, que mantenha os níveis de carboidratos necessários para suprir a energia gasta durante os treinamentos.

Fonte: Páblius Staduto Braga Silva

9. Colocar gelo em picada de mosquito evita a coceira?

VERDADE

O efeito anestésico do frio é conhecido há centenas de anos. Os médicos das tropas do imperador francês Napoleão Bonaparte usavam a neve como anestésico antes de realizar amputações, numa época em que ainda não se conhecia os anestésicos. No caso da picada de mosquito, o resfriamento causa uma diminuição da circulação sanguínea no local e também tem ação anti-inflamatória, diminuindo os sintomas. O frio em excesso, no entanto, pode causar uma queimadura grave. Desta forma é necessário não exagerar na dose, pois, ao mesmo tempo em que evita a coceira da picada, pode-se ganhar uma bolha de queimadura.

Fonte: Luiz Guilherme Martins Castro, assessor médico de Dermatologia

10. Usar blusas ou sutiãs muito apertados e dormir de bruços faz os seios diminuírem?

MITO

Para reduzir o tamanho das mamas, a única maneira não cirúrgica é a perda de peso, já que um dos componentes da mama é o tecido adiposo. Os sutiãs, por sua vez, são bastante importantes para a sustentação e proteção, principalmente na fase de crescimento dos seios, quando a pele das mamas fica bastante sensível.

11. Suco de laranja com berinjela faz baixar o colesterol?

MITO

Não há nenhuma comprovação científica de que essa mistura ajude a reduzir o colesterol. O que reduz os índices LDL-colesterol – conhecido popularmente como colesterol ruim – é uma dieta equilibrada e saudável, com poucas gorduras, e a prática regular de exercícios físicos. Essas medidas, com benefício reconhecido há muito tempo, devem ser cultivadas desde a infância. Mas uma mudança de hábitos é válida em qualquer momento da vida. Pode-se, por exemplo, incluir nas refeições diárias frutas, cereais, legumes, verduras e alimentos com fibras, pois ajudam a diminuir a absorção de gordura pelo intestino. Outras dicas são substituir carnes gordas por peixes e ingerir frutas oleaginosas como nozes e amêndoas. Líquidos também são importantes para manter o corpo apto para a prática rotineira de atividade física.

12. Entrar na piscina ou tomar banho após as refeições causa congestão?

MITO

As duas atividades estão liberadas após as refeições, pois não causam mal nenhum. A atenção especial que se deve ter nesses casos, na realidade, é com relação às atividades físicas logo depois (o período compreende cerca de duas horas) do almoço, do jantar ou grandes refeições. O que acontece é que os exercícios fazem com que a circulação sanguínea seja mais intensa nos músculos – para acelerar o coração e a respiração – do que no estômago e intestino, situação ideal para uma digestão adequada. Da mesma forma, banhos longos e muito quentes dilatam os vasos sanguíneos da pele, o que também desvia o sangue do estômago, provocando dificuldades da digestão e sintomas como enjôo, suor frio e tontura.

13. Pílula anticoncepcional engorda?

MITO

Cada mulher responde de uma maneira própria ao uso de pílulas anticoncepcionais. Em alguns casos,  pode ocorrer retenção de líquidos pela ação dos hormônios contidos no contraceptivo. Isso gera inchaço (sobretudo nos seios, coxas e quadris), que frequentemente é confundido com ganho de peso. Normalmente, essa reação desaparece com algum tempo de uso da medicação. Mesmo assim, é imprescindível consultar um médico ginecologista antes de optar pelo anticoncepcional: somente ele poderá avaliar as condições clínicas da paciente e, assim, prescrever a melhor pílula disponível. Se, por outro lado, a mulher tem uma vida sedentária, vale a pena rever os hábitos: muitas vezes, o contraceptivo leva a ‘culpa’, mas, de fato é a  falta de exercícios físicos e uma alimentação desequilibrada os verdadeiros vilões da história.

Fonte: Patrícia de Luca, ginecologista

14. Mãe que não se alimenta direito pode ter um leite fraco?

MITO

A mãe natureza, com sua sabedoria, preserva o recém-nascido das adversidades. Isto se comprova em estudos que demonstram que o leite materno de mães desnutridas não sofre variações relacionadas ao teor de proteínas, lactose e gorduras quando comparado com o leite materno de mães sem desnutrição. Isto ocorre porque o organismo mobiliza proteínas, cálcio, gorduras e carboidratos da própria mãe, mantendo o leite produzido adequado para a nutrição do bebê. Portanto, não existe leite fraco. O que pode haver é uma variação no volume produzido de uma mãe para outra, o que também não sofre influência da ingestão calórica pela mãe.

Fonte: Ivani Mancini, pediatra

15. O café pode piorar problemas gastrointestinais?

VERDADE

Embora a sensibilidade a determinados alimentos varie de pessoa para pessoa, o café (e qualquer outro alimento que contém cafeína, como chá preto, chá verde mate, refrigerantes à base de cola e guaraná) pode provocar sintomas de refluxo gastroesofágico (azia) devido ao relaxamento do esfíncter inferior do esôfago. Portanto, pessoas que já sofrem de algum problema no estômago e sentem uma piora no quadro ao tomar café, devem evitar a bebida.

Fonte: Carla Yamashita, nutricionista

16. Comer e ingerir líquido ao mesmo tempo engorda?

MITO

O que engorda, na verdade, é a quantidade de calorias da bebida. Tomar água durante as refeições, por exemplo, não vai levar ao ganho de peso. É fato que o excesso de líquido durante uma refeição pode prejudicar a digestão e a absorção dos alimentos. Mas isto não significa, necessariamente, que engorde.

Fonte: Carla Yamashita, nutricionista

17. Amamentar faz os seios caírem?

MITO

Um estudo feito pela Universidade de Kentucky mostra que a amamentação, por si só, não altera o formato ou a aparência dos seios. “Durante a gestação, as mulheres sofrem grandes transformações hormonais e passam a produzir leite. Com isso, os seios crescem e aumentam de volume”, explica o cirurgião plástico Emílio Pigozzi.

“Passadas as alterações hormonais, eles voltam ao tamanho anterior”, afirma. “A queda dos seios depende de fatores genéticos e da constituição física de cada mulher”, declara Alexandre Munhoz, cirurgião plástico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Durante a gravidez e a amamentação, os especialistas recomendam manter uma alimentação saudável, usar sutiãs que sustentem a mama e promover a hidratação da pele.

Informações retiradas da Revista Saúde em Dia

18. Suco de beterraba acaba com a anemia?

MITO

Não é tão simples assim. Para ingerir a quantidade de ferro necessária por meio de suco de beterraba, seria necessária muita beterraba. Cem gramas de beterraba crua tem cerca de 0,80mg de ferro; enquanto que 100g de carne bovina tem 2,15mg de ferro. Isso sem contar que o ferro presente em alimentos de origem animal é mais facilmente absorvido pelo organismo que os de origem vegetal, como a beterraba.

– Fonte: Carla Yamashita

19. Recém-nascido sente muito frio?

MITO

A sensibilidade térmica do recém-nascido não difere do adulto, ou seja, se está frio, o bebê sente o mesmo frio que nós. O que há de diferente em relação ao bebê é o controle da temperatura do organismo, que ainda é imaturo. Isso quer dizer que o bebê tem mais dificuldade para manter sua temperatura interna estável diante de grandes variações externas. Por exemplo, um bebê extremamente agasalhado pode ter um pequeno aumento da temperatura corporal, medida com o termômetro. Da mesma forma, um bebê submetido a temperaturas muito baixas tem maior probabilidade de sofrer uma hipotermia. Isto ocorre por uma imaturidade no centro de controle térmico cerebral, própria do recém-nascido, e que vai amadurecendo à medida em que o bebê cresce.

– Fonte: Ivani Mancini

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