Mitos e Verdades sobre a Febre Amarela

febre-amarela

Desde o início dos casos de Febre Amarela no país, muitas informações foram passadas sobre a doença, mas é importante que a população busque fontes seguras e oficiais sobre o assunto. Até o dia 02 de fevereiro, o Ministério da Saúde notificou 901 casos suspeitos da doença. Do total, 708 casos permanecem em investigação, 151 foram confirmados e 42 descartados. Dos 143 óbitos notificados, 54 foram confirmados, 86 ainda são investigados e 3 foram descartados. Para esclarecer a população sobre a realidade da doença no país, selecionamos algumas afirmações que circulam na internet. Confira o Mitos e Verdades sobre a Febre Amarela:

Todos os casos notificados nos últimos meses são de febre amarela silvestre.

Verdadeiro. Existem dois ciclos de transmissão da doença:

  • o silvestre, quando a doença é transmitida pela picada dos mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. Nesse ciclo os principais hospedeiros são os primatas não humanos (macacos) que habitam as florestas tropicais.  Seres humanos podem adquirir o vírus esporadicamente quando residem ou adentram na mata para trabalho ou turismo e são picados por um mosquito silvestre infectado.
  • o urbano, quando a transmissão se dá pela picada do Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue, zika e chikungunya.  O último caso de febre amarela urbana no Brasil ocorreu em 1942, no Acre.

O Ministério da Saúde reforça que todos os casos notificados até o presente momento são classificados no ciclo silvestre de transmissão e que o risco de reurbanização da febre amarela é muito baixo. Para que se instale um ciclo urbano de transmissão da febre amarela, baseado no histórico das últimas epidemias registradas na África, são necessários índices de infestação do Aedes aegypti muito elevados (acima de 50%) e pelos levantamentos realizados no final de 2016, 63% dos municípios que realizaram o levantamento apresentaram índices abaixo de 1%, considerado resultado satisfatório, de acordo com os parâmetros internacionais. Somente 8,6% dos municípios apresentaram índices acima de 4%, o que não indica risco de epidemia para febre amarela.

Se não moro na área de recomendação da vacina ou não vou me dirigir a essas áreas não preciso me vacinar.
 
Correto. A recomendação para a vacinação é direcionada as pessoas que residem ou vão se deslocar para as áreas com recomendação para vacinação e áreas com recomendação temporária para vacinação.

Atualmente, as áreas com recomendação para vacinação correspondem a 3.570 municípios e as áreas com recomendação temporária para vacinação são os municípios dos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia que fazem divisa com Minas Gerais. 

A população que não vive na área de recomendação ou não vai se dirigir a essas áreas não precisa buscar a vacinação.

 

Nenhuma grávida deve ser vacinada contra febre amarela.

Mito. A vacinação não está indicada as gestantes. No entanto, na ocorrência de surtos da doença, epidemias ou viagem para área com risco de contrair a doença, a grávida deverá ser avaliada pelo serviço de saúde, considerando o risco benefício da vacinação.  

É importante ressaltar que as demais vacinas definidas no Calendário Nacional de Vacinação para a gestante devem ser administradas durante a gravidez, pois são seguras e trazem proteção para a gestante e o filho.

Mulheres que estão amamentando não devem se vacinadas contra febre amarela.

Mito. As mulheres que estão amamentando bebês maiores de 6 meses de idade poderão ser vacinadas se residirem ou vão se deslocar para as áreas com recomendação para vacinação e áreas com recomendação temporária para vacinação.

A vacinação está contra indicada para mulheres que estão amamentando bebês menores de 6 meses de idade. Na impossibilidade de adiar a vacinação, na possibilidade de surtos, epidemias ou viagem para área com risco contrair a doença, deve apresentar a mãe opções para evitar o risco de transmissão do vírus vacinal pelo aleitamento materno, tais como: previamente a vacinação praticar a ordenha do leite e manter congelado por 28 dias em freezer ou congelador, para planejamento de uso durante o período da viremia, ou seja, por 28 dias ou, pelo menos 15 dias após a vacinação.

Para as mulheres que estão amamentando e residem em outras localidades que NÃO estão sob o risco de transmissão da doença, a vacinação contra a febre amarela deve ser evitada, ou adiada até a criança completar 6 meses de idade.

Tenho alergia ao ovo e mesmo assim, posso receber a vacina febre amarela.

Verdade. As pessoas com história de alergia comprovada ao ovo e seus derivados, gelatina bovina ou a outras, podem receber a vacina febre amarela após avaliação médica. Nesta situação a pessoa deve recebê-la em ambiente com condições de atendimento de reações anafiláticas.

Pessoas que fazem tratamento com drogas imunossupressoras podem ser vacinada contra febre amarela.

Verdade. Neste caso é recomendo que a pessoa interrompa o uso da medicação por até 3 (três) meses a depender do tipo da medicação para poder receber a vacina febre amarela, como no quadro abaixo.

Pessoas que fazem tratamento com drogas imunossupressoras podem ser vacinada contra febre amarela.

Verdade. Neste caso é recomendo que a pessoa interrompa o uso da medicação por até 3 (três) meses a depender do tipo da medicação para poder receber a vacina febre amarela, como no quadro abaixo.

Uso de drogas imunossupressoras e intervalo de descontinuidade de tratamento para a aplicação de vacina febre amarela

Preciso tomar a vacina a cada 10 anos.

Mito. É importante informar que o Calendário Nacional de Vacinação mudou. Até 2014, a recomendação era que o indivíduo deveria ser vacinado de 10 em 10 anos. A partir de 05 de abril de 2017, o Ministério da Saúde passa a adotar dose única da vacina contra a febre amarela para as áreas com recomendação de vacinação em todo o país. A medida é válida a partir do mês de abril e está de acordo com orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Mesmo tendo tomado as duas doses, tenho o risco de pegar a doença.

Mito. Se a pessoa está com a Caderneta de Vacinação em dia, conforme as recomendações do Calendário Nacional de Vacinação, ela está protegida contra a doença, não havendo necessidade de doses adicionais da vacina, mesmo na ocorrência de surtos ou epizootias (morte de macacos).

Vale ressaltar que a partir de 05 de abril de 2017, o Ministério da Saúde passa a adotar dose única da vacina contra a febre amarela para as áreas com recomendação de vacinação em todo o país. Não sendo necessário duas doses.

 

Quanto mais doses da vacina eu tomar, mais protegido eu fico.

Mito. Se seguir o esquema vacinal definido pelo Programa Nacional de Imunizações a pessoa estará protegida, não havendo nenhuma proteção adicional se a pessoa for vacinada várias vezes, fora do esquema preconizado. A quantidade de vacinas que a população deve tomar para estar imunizada contra a febre amarela mudou. Anteriormente, esquema vacinal era de duas doses,  tanto para adultos quanto para crianças. A partir de 05 de abril de 2017, o Ministério da Saúde passa a adotar dose única da vacina contra a febre amarela para as áreas com recomendação de vacinação em todo o país. A medida é válida a partir do mês de abril e está de acordo com orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Assim, a proteção está garantida para o resto da vida.

Corro mais risco de pegar a Febre Amarela em um lugar lotado, como durante o carnaval, já que pessoas podem estar infectadas ao meu redor.

Mito. A febre amarela não é transmitida de pessoa a pessoa. Assim, não há contágio pela proximidade com uma pessoa doente. Seres humanos podem adquirir o vírus esporadicamente quando residem ou adentram na mata para trabalho ou turismo e são picados por um mosquito silvestre infectado.

Quem tomar a vacina pode pegar Febre Amarela.

Não.  As vacinas contra febre amarela são seguras e eficazes quando administradas de acordo com as normas do Programa Nacional de Imunizações. No entanto, como qualquer imunobiológico, tem contraindicações e precauções. A vacinação está contraindicada para crianças menores de 6 meses de idade e mulheres que estão amamentando bebês menores de 6 meses de idade.  É muito importante o cumprimento dessas orientações, pois a vacinação de forma inadvertida poderá desenvolver eventos adversos graves pós-vacinação, apresentando os mesmos sintomas da doença.

 

Gabi Kopko, com informações da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, para o Blog.

2010 / 2016 - Laboratório central | Todos os direitos reservados - SAC 37 3222-7700