Meu filho já tem um ano e não fala nada. É normal?

Ao longo do desenvolvimento infantil, diversos aspectos chamam a atenção pelo encantamento que proporcionam e pelos marcos que representam. Logo ao nascimento, o recurso comunicativo mais notável do bebê é o choro, e é desta maneira que ele satisfaz suas necessidades imediatas. Ainda nos primeiros meses, o bebê passa a utilizar outros recursos, como o sorriso, o olhar, os gestos, e inicia a produção de sons que ele escutou desde sua vida intra-uterina.

 Assim, durante praticamente todo o primeiro ano de vida, o bebê recebe do adulto nas interações do dia-a-dia os estímulos para criar sua própria “linguagem interna”, e estar preparado para realizar associações de objetos e situações com as palavras que ele aprendeu por meio do modelo que os adultos forneceram.

 A fala é um processo que depende de uma série de aspectos, e por este motivo, está diretamente relacionada ao desenvolvimento de linguagem não-verbal (compreensão e uso de gestos) e verbal (compreensão e uso de palavras e expressões). Dentre os fatores que podem levar a criança a não falar ou falar pouco quando já se espera a produção de palavras com significado, podemos citar problemas orgânicos (otites de repetição, por exemplo), genéticos (síndromes, histórico familiar de atraso no desenvolvimento), ambientais (pouca ou muita estimulação), emocionais, dentre outros.

 É um fato cientificamente comprovado que os meninos demoram mais para iniciar a fala do que as meninas. Isto se deve ao processo de ativação do hemisfério esquerdo do cérebro que ocorre mais cedo nas meninas, e é o responsável pela capacidade verbal.

 Mesmo com estas diferenças, durante o curso esperado do desenvolvimento, no início do segundo ano de vida, a maioria dos bebês tanto meninas, quanto meninos iniciam a produção de palavras para se comunicar. Durante o segundo ano de vida, a criança amplia consideravelmente seu vocabulário, até ser capaz de juntar palavras que funcionam como frases, no início do terceiro ano de vida. Quando esses processos demoram muito para acontecer, temos os quadros de atraso de fala.

 Desta forma, é preciso observar como esse bebê se comunica, se ele utiliza gestos e olha para as pessoas e para os objetos como forma de pedir o que deseja, e também como esse bebê brinca e explora o mundo. Sendo assim, não é indicado esperar muito tempo para ver se a criança irá começar a falar. Embora existam variações individuais que devam ser respeitadas, é de fundamental importância identificar os possíveis fatores que levaram a esse atraso para intervir precocemente, e evitar que a criança venha a ter problemas futuros em seu desenvolvimento de linguagem e fala.

 Assim, o acompanhamento do desenvolvimento pelo médico pediatra, e muitas vezes, por profissionais especialistas como o fonoaudiólogo especializado em desenvolvimento infantil, faz-se necessário para identificar e tentar corrigir as possíveis causas da ausência de oralidade ou da manifestação tardia da fala, que comumente está associada aos quadros de atraso ou desordem de linguagem.

 Camila Menezes Nitatori,  Fonoaudiologa

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