Leucemias

As leucemias são cânceres das células do sangue. As células cancerosas podem acometer toda a medula óssea, chegando ao ponto de impedir a produção de células normais do sangue (falência medular), o que levaria a quadros variáveis de sangramento, infecção e anemia.

As leucemias são divididas em agudas e crônicas. O grupo das leucemias agudas é dividido em mieloblástica e linfocítica, sendo que essa diferenciação é feita na célula de origem de cada grupo. De forma geral as leucemias agudas apresentam uma evolução muito rápida, sendo necessário o diagnóstico precoce e o tratamento rápido.

Apesar de ser um tipo raro de câncer, a leucemia aguda apresenta um elevado índice de morte em pessoas abaixo da idade de 35 anos. A incidência das leucemias é semelhante por todo o mundo, sendo que, dentre as leucemias agudas, a mieloblástica tem ligeira predominância sobre a linfocítica.

São mais predominantes nos homens, sendo maior o número de casos nos de raça branca. A idade de acometimento difere enormemente entre dois grupos, sendo a leucemia linfocítica aguda (LLA) muito comum até os 10 anos de idade e a leucemia mielóide aguda (LMA) muito comum na média de 65 anos de idade. O tratamento entre os dois grupos também é muito diferente. Além disso a leucemia mielóide aguda tem um pior prognóstico que a crônica.

Vale lembrar os casos de leucemia que ocorrem de forma secundária, ou seja, possuem uma causa bem definida que a promoveu, sendo esses a minoria. Na maioria das vezes não existe uma causa bem definida para a doença. Nos casos de leucemia secundária, podemos estacar, como fatores de risco, o tratamento anterior da doença de Hodgkin, uso de alguns quimioterápicos e tratamento da própria LLA.

A apresentação clínica desses tumores é inespecífica, mas pela história clínica e os achados ao exame físico, o diagnóstico é realizado na maioria das vezes. Geralmente, o paciente apresenta-se com uma queixa de fraqueza há cerca de 1 a 3 meses, pequena perda de peso, febre, dor óssea e abdominal, falta de ar e, mais importante, o sangramento e formação de hematomas de forma fácil. Ao exame físico pode-se notar a presença de sinais de sangramento (hematomas e petéquias) e a palidez condizente com a anemia e o sangramento. O aumento do tamanho do fígado, do baço e dos gânglios linfáticos são achados pouco comuns na leucemia aguda. Já os testes laboratoriais, demonstram uma diminuição das plaquetas e das células vermelhas. As células da série branca do sangue podem variar muito em quantidade.

 

Os exames utilizados para o diagnóstico são:

 hemograma, teste de coagulação sangüínea, testes químicos de rotina (eletrólitos, creatinina, etc.), esfregaço do sangue e da medula óssea e, em algumas vezes, a biópsia da medula óssea. Os estudos mais avançados como fenotipagem, citogenética e biologia molecular estão indicados. Com relação aos fatores de risco, já citamos anteriormente os quimioterápicos, radioterapia e o próprio tratamento da LLA. Acrescentam-se a esses os fatores bem definidos como: exposição às radiações ionizantes e ao benzeno, além do hábito de fumar. Um vírus (HTLV 1) tem sido identificado como causa de leucemia/linfoma. O vírus Epstein-Barr também tem sido relacionado com alguns tipos de leucemia. Deve-se lembrar as síndromes que também aumentam o risco como a de Down, anemia de Fanconi e ataxia-telangiectasia.

As leucemias crônicas também apresentam a forma mielóide e linfocítica. A leucemia linfocítica crônica (LLC) é a mais comum das leucemias. Apesar de todos os avanços nos conhecimentos sobre a doença e na forma de tratamento, atualmente mais avançadas, não houve nenhuma mudança na sobrevida destes pacientes. A leucemia linfocítica crônica apresenta-se habitualmente no paciente com idade acima de 60 anos, motivo pelo qual muitas vezes o tratamento quimioterápico agressivo não é utilizado, atingindo-se assim índices de cura próximos de zero. Outro motivo que leva o tratamento a ser feito de forma paliativa é a característica da doença que, muitas vezes, não requer uma intervenção terapêutica, vivendo o paciente por volta de 20 anos sem maiores problemas.

O importante é diferenciar o paciente que necessita daquele que não necessita do tratamento. Esta decisão é tomada baseando-se em resultados de exames de sangue e exame físico do paciente (estadiamento da doença).

O diagnóstico é realizado basicamente da mesma forma que nas leucemias agudas; o que chama a atenção é que o acometimento do baço, fígado e de gânglios linfáticos é mais comum na leucemia crônica. Outras formas de leucemias devem ser lembradas como a leucemia pró linfocítica, a leucemia linfocítica crônica de células T e a leucemia de células cabeludas. Resta comentar sobre a leucemia mielóide crônica, o­nde ocorre uma substituição gradativa das células da medula óssea por células mielóides maduras, que são insensíveis ao controle de proliferação celular, podendo evoluir com anemia severa, diminuição das plaquetas e acometimento de praticamente todos os órgãos do corpo (crise blástica).

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