Lavar as mãos

Muitas doenças infecciosas podem ser evitadas com um ato simples, mas às vezes esquecido: a lavagem das mãos
Desde cedo se aprende em casa que devemos lavar as mãos antes das refeições, após usarmos o banheiro ou manusear dinheiro. Mas pouca gente sabe que essa simples medida pode evitar a disseminação de vírus e bactérias e ainda prevenir uma série de doenças como infecções respiratórias e gastrointestinais.A gripe é um bom exemplo para comprovar a facilidade com que um vírus pode ser disseminado. É muito comum vermos pessoas gripadas cumprimentando alguém com um aperto de mãos, ao invés de oferecer o rosto, por acharem que isso evitaria um possível contágio. Mas, na verdade com isso ela tornará o risco de transmissão muito maior, pois ao coçar ou assoar o nariz, o vírus da gripe se instalará nas mãos do paciente e será facilmente disseminado para outras pessoas.

O combate ao vírus Influenza A  – que já atingiu quase 13 mil pessoas e deixa o mundo em alerta para uma possível pandemia – é mais eficaz pela lavagem correta das mãos, do que pelo uso de máscaras, como afirma a Dra. Thaís Guimarães, coordenadora do Comitê Científico de Micologia Clínica da SBI: “Não há evidências que comprovem proteção para o uso de máscaras cirúrgicas para a população em ambiente aberto. Já o hábito de lavar as mãos frequentemente com água e sabão é eficaz porque você pode tocar uma superfície que contenha saliva de uma pessoa infectada e ao levar as mãos à boca ou olhos você pode se infectar”.

Outra doença que pode ser evitada com a correta higienização das mãos é a diarreia, muito comum em crianças. Por isso quem trabalha em creches, cantinas, restaurantes ou mesmo os pais e as próprias crianças devem cultivar esse hábito. A doença pode ser desencadeada por uma reação adversa a um medicamento, mas geralmente é transmitida por vírus e bactérias ingeridos através de alimentos ou água contaminada. Cólicas e fezes líquidas e frequentes – que podem gerar desidratação – são alguns dos sintomas.

Campanha

A OMS (Organização Mundial da Saúde) lançou em maio deste ano a campanha mundial “Salve vidas: limpe suas mãos”. O objetivo é educar as pessoas sobre a maneira correta de fazer a higienização e mostrar como esse simples ato pode ajudar no combate de muitas doenças.

O tempo ideal gasto na lavagem das mãos, segundo a OMS, é de 15 a 20 segundos de esfregação. Tempo necessário para que as pessoas cantem “Parabéns a você” duas vezes seguidas (sem o “é pique, é pique”) ou que digam todas as letras do alfabeto – o que corresponde a mais 50 segundos, sugere a instituição no material da campanha.

Quantos aos momentos essenciais para higienizar as mãos este podem ser: ao chegar em casa; antes das refeições ou do preparo de alimentos; após assoar o nariz, manusear dinheiro, trocar fraldas e ter contato com animais; antes e após usar o banheiro; depois da limpeza da casa.

Apesar dos benefícios decorrentes da lavagem das mãos, as campanhas de higienização destinadas à população são muito recentes. A infectologista da SBI explica o motivo: “apesar de todo o conhecimento a respeito deste assunto e da eficácia desta medida barata e simples, há a necessidade de se mudar o comportamento das pessoas, então, hoje trabalhamos muito mais com a adesão do que com o conhecimento”.

Dicas para lavar as mãos

 Foto: Associação Nacional de Controlo de InfeccçãoUmedeça as mãos com água e aplique sabão em quantidade suficiente para que a espuma cubra toda a superfície

• Limpe as partes que ficam escondidas: embaixo das unhas, entre os dedos e linhas marcadas na parte interna

• Esfregue os pulsos e o antebraço

• Enxágue bem as mãos retirando totalmente o resíduo de sabão

• Seque com toalha descartável ou secador de mãos caso esteja em banheiro coletivo

• Feche a torneira utilizando papel toalha e, se não for possível, lave-a também antes de fechá-la.

Sabonete

Um estudo feito pela Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan e o próprio FDA (órgão norte-americano que regulamenta remédios e alimentos) mostrou que não há comprovação de que a fórmula de alguns sabonetes seja mais ou menos eficaz na prevenção das doenças.

Em casa, os sabonetes em barra podem ser usados. Já em locais de maior circulação, como shoppings ou hospitais, aconselha-se que a lavagem das mãos seja feita pelas versões liquidas, pois as rachaduras nos produtos em barra podem esconder muitas bactérias.

Histórico da higienização

Foto: Kirsti A.

Em maio de 1847 o médico húngaro Ignaz Philliph Semmelweis demonstrou que estar sempre com as mãos limpas poderia ser um método para evitar que algumas doenças se espalhassem. Ele percebeu que a maioria dos pacientes da maternidade que estavam morrendo, em um hospital de Viena, tinham sido tratados por estudantes de medicina que trabalhavam com cadáveres durante as aulas de anatomia, e não estavam habituados a manter as mãos higienizadas.

A constatação fez com que Semmelweis institui-se o uso de uma solução clorada para a lavagem das mãos como procedimento obrigatório para todos na entrada da sala de parto do referido hospital. Após a introdução desse procedimento, observou-se a redução no número de mortes maternas por infecção pós-parto.

A prática, sugerida pelo médico húngaro, tem sido recomendada por vários órgãos de saúde para o combate a disseminação de infecções. “As mãos constituem a principal via de transmissão de micro-organismos durante a assistência prestada aos pacientes, pois a pele é um possível reservatório de diversos micro-organismos”, afirma a infectologista Thaís. No Brasil, dia 15 de maio consagrou-se, desde 1999, como o Dia Nacional do Controle de Infecção Hospitalar.

Reportagem: Equipe de conteúdo do Portal SBI
Fonte consultada: Anvisa

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