Hepatite B

O que é: Doença infecciosa viral, contagiosa, conhecida anteriormente como hepatite soro-homóloga.

Distribuição no Brasil e no mundo:

O Brasil é classificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um país com elevada prevalência para as hepatites B e Delta (D), particularmente na região da Amazônia Legal. O vírus da hepatite B (VHB), em alguns estudos do final da década de 80 e início da 90, sugeriam um gradiente de aumento da frequência da região Sul em direção à região Norte. Assim, considerava-se que ocorriam três padrões de distribuição da hepatite B: alta endemicidade, com prevalência superior a 7%, presente na região Amazônica, Sul do Espírito Santo e Oeste dos estados do Paraná e Santa Catarina; endemicidade intermediária, com prevalência entre 2 e 7%, nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste e baixa endemicidade, com prevalência abaixo de 2% na região Sul do país.

Em algumas regiões do Estado do Amazonas, com a implementação de campanhas de vacinação contra hepatite B, desde 1989, e a implantação da vacina em menores de 1 ano e em menores de 15 anos nos anos de 1991 e 1996, respectivamente, este padrão vem se modificando como atestam estudos mais recentes.

O Ministério da Saúde, em convênio com a Universidade Estadual de Pernambuco, está desenvolvendo um estudo soro-epidemiológico de base populacional para as hepatites A, B e C nas capitais brasileiras. Na região Norte, para os portadores de VHB também será investigado o vírus da hepatite D (VHD). Nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, e Distrito Federal, onde o inquérito já foi concluído, foi encontrada baixa prevalência de portadores do VHB (variando entre 0,11 a 0,74%). Em 2007, iniciou as atividades de campo das regiões Sul e Sudeste.

Transmissão

Agentes causadores (patógeno e vetores): O agente etiológico é o vírus da hepatite B (VHB), um vírus DNA, hepatovírus da família hepadnaviridae, podendo apresentar-se como infecção assintomática ou sintomática.

A transmissão corre por via parenteral, percutânea, transmissão sexual e vertical (mãe-filho). O período de incubação, ou seja, o tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas, varia de 30 a 180 dias (média de 70 dias). Quanto ao período de transmissão, este ocorre duas a três semanas antes dos primeiros sintomas, até o desaparecimento dos mesmos (forma aguda) ou enquanto persistir o antígeno de superfície do vírus B – HBsAg (forma crônica e portador).

 Diagnóstico

Clínico (principais sintomas):

 A hepatite B pode ou não apresentar sintomas. Quando presentes, os sintomas podem variar entre os seguintes: mal-estar, cefaleia (dor de cabeça), febre baixa, anorexia (falta de apetite), astenia (cansaço), fadiga, artralgia (dor nas articulações), náuseas, vômitos, prurido (coceira), desconforto abdominal na região do fígado e aversão a alguns alimentos e cigarro. A icterícia geralmente inicia-se quando a febre desaparece e pode ser precedida por colúria (urina escura) e hipocolia fecal (descoloração das fezes). A hepatomegalia (aumento do fígado) ou a hepatoesplenomegalia (aumento do fígado e do baço).

>> Hepatite B aguda: A evolução de uma hepatite B aguda consiste de três fases:

• Prodrômica ou pré-ictérica: Com aparecimento de febre, astenia, dores musculares ou articulares e sintomas digestivos, tais como anorexia, náuseas e vômitos, perversão do paladar, às vezes cefaleia, repulsa ao cigarro. A evolução é de mais ou menos 4 semanas. Eventualmente esta fase pode não acontecer, surgindo a icterícia como o primeiro sinal.

• Ictérica: abrandamento dos sintomas digestivos e surgimento da icterícia que pode ser de intensidade variável, sendo, às vezes, precedida de colúria. A hipocolia pode surgir por prazos curtos, 7 a 10 dias, e às vezes se acompanha de prurido.

• Convalescença: Desaparece a icterícia e retorna a sensação de bem-estar. A recuperação completa ocorre após algumas semanas, mas a astenia pode persistir por vários meses. Uma média de 90 a 95% dos pacientes adultos acometidos pode evoluir para a cura.

>> Hepatite B crônica: Quando a reação inflamatória do fígado nos casos agudos sintomáticos ou assintomáticos persiste por mais de seis meses, considera-se que a infecção evoluiu para a forma crônica. Os sintomas, quando presentes, são inespecíficos, predominando fadiga, mal-estar geral e sintomas digestivos. Somente 20% a 40% dos casos têm história prévia de hepatite aguda sintomática. Em uma parcela dos casos crônicos, após anos de evolução, pode aparecer cirrose, com surgimento de icterícia, edema, ascite, varizes de esôfago e alterações hematológicas. A hepatite B crônica pode também evoluir para hepatocarcinoma sem passar pelo estágio de cirrose.

 

Laboratorial (exames realizados):

A suspeita diagnóstica pode ser guiada por dados clínicos e/ou epidemiológicos. A confirmação diagnóstica é laboratorial e realiza-se por meio dos marcadores sorológicos de triagem do VHB, que são HBsAg e anti-HBc.

Tratamento

O tratamento difere dependendo do caso:

• Hepatite aguda: Acompanhamento ambulatorial, com tratamento sintomático, repouso relativo, dieta conforme a aceitação do paciente.

• Hepatite crônica: Conforme diretriz clínico-terapêutica definida por meio de portaria do Ministério da Saúde (Portaria 860 de novembro de 2002). (*)

(*) Obs.: Tem havido recentes progressos nesta área de tratamento da hepatite B, que resultaram na publicação de guias de recomendação terapêutica mais atualizados, entre eles o da própria Sociedade Brasileira de Infectologia, publicado em 2006 (ver aqui). Aguarda-se para breve uma atualização do próprio guia oficial do Ministério da Saúde.

Prevenção

Educação e divulgação do problema são fundamentais para prevenir a hepatite B. Além destas ações, a cadeia de transmissão da doença é interrompida a partir de:

• Controle efetivo de bancos de sangue através da triagem sorológica;

• Vacinação contra hepatite B, disponível no SUS, conforme padronização do Programa Nacional de Imunizações (PNI);

• Uso de imunoglobulina humana antivírus da hepatite B disponível no SUS, conforme padronização do Programa Nacional de Imunizações (PNI);

• Uso de equipamentos de proteção individual pelos profissionais da área da saúde;

• Não compartilhamento de alicates de unha, lâminas de barbear, escovas de dente, equipamentos para uso de drogas;

• Uso de preservativos nas relações sexuais.

 Fonte: Sociedade Brasileira de Infectologia

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