Hepatite A

O que é: Doença infecciosa viral, contagiosa, causada pelo vírus da hepatite A (VHA) e também conhecida como “hepatite infecciosa”, “hepatite epidêmica”, “hepatite de período de incubação curto”.

Distribuição no Brasil e no mundo:

A hepatite pelo VHA apresenta distribuição mundial. Em regiões menos desenvolvidas as pessoas são expostas ao VHA em idades precoces, apresentando formas subclínicas ou anictéricas em crianças em idade pré-escolar. O Brasil é classificado, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como um país de alta endemicidade para a hepatite A.

Estima-se que, no país, ocorram aproximadamente 130 casos novos por 100.000 habitantes ao ano de infecção pelo vírus da hepatite A (VHA) e de que mais de 90% da população maior de 20 anos tenha tido exposição a este agente infeccioso. Entretanto, com as melhorias nas condições de saneamento, principalmente nos grandes centros urbanos, alguns estudos têm demonstrado uma redução progressiva de soropositivos em adultos jovens.

Mais recentemente, o Ministério da Saúde, em convênio com a Universidade Estadual de Pernambuco, está desenvolvendo um estudo soro-epidemiológico de base populacional para as hepatites A, B e C nas capitais brasileiras. Nas regiões Nordeste, e Centro-Oeste, e Distrito Federal, onde o inquérito já foi concluído, foi encontrada alta prevalência de indivíduos que já entraram em contato com o VHA (variando entre 32,26 a 66,67%). Em 2007, iniciaram as atividades de campo das regiões Sul e Sudeste.

 Transmissão

Agentes causadores (patógeno e vetores): O agente etiológico é um pequeno vírus RNA, membro da família picornaviridae, denominado vírus da hepatite A (VHA).

A principal via de contágio é a fecal-oral, por contato inter-humano ou por água e alimentos contaminados. A transmissão pode ocorrer 15 dias antes dos sintomas até sete dias após o início da icterícia. O período de incubação, ou seja, o tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas, varia de 15 45 dias (média de 30 dias). Quanto ao período de transmissibilidade ocorre de duas semanas antes do início dos sintomas até o final da segunda semana da doença.

 Diagnóstico

Clínico (principais sintomas):

 A doença pode ocorrer de forma esporádica ou em surtos e, devido à maioria dos casos cursarem sem icterícia e com sinais e sintomas pouco específicos, pode passar na maioria das vezes despercebida, favorecendo a não-identificação da fonte de infecção. Nos pacientes sintomáticos, o período de doença se caracteriza pela presença de colúria, hipocolia fecal e icterícia. A frequência da manifestação ictérica aumenta de acordo com a faixa etária, variando de 5 a 10% em menores de seis anos e chegando até 70-80% nos adultos.

Laboratorial (exames realizados):

 A presença de anti-HAV IgM, marcador sorológico específico de hepatite A confirma o diagnóstico de hepatite A aguda. A presença de anti-HAV Total reagente e anti-HAV IgM não reagente, confirma imunidade por vacinação ou hepatite A pregressa.

  Tratamento

Não existe tratamento para a forma aguda. Se necessário, apenas tratamento sintomático para náuseas, vômitos e prurido. O repouso é considerado medida imposta pela própria condição do paciente. A utilização de dieta pobre em gordura e rica em carboidratos é de uso popular, porém seu maior benefício é ser de melhor digestão para o paciente anorético. De forma prática deve ser recomendado que o próprio indivíduo doente defina sua dieta de acordo com seu apetite e aceitação alimentar. A única restrição está relacionada à ingestão de álcool. Esta restrição deve ser mantida por um período mínimo de seis meses e preferencialmente de um ano.

 Prevenção

A melhor estratégia de prevenção desta hepatite inclui a melhoria das condições de vida, com adequação do saneamento básico e medidas educacionais de higiene. A imunização contra a hepatite A é realizada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) a partir de 12 meses de idade, em duas doses, com intervalo de seis meses entre elas. Não há no momento a disponibilização desta vacina no calendário básico de vacinação, sendo as indicações descritas a seguir:

1. Portadores de hepatopatias crônicas de qualquer etiologia;

2. Portadores crônicos de hepatite B e/ou C;

3. Coagulopatias;

4. Crianças menores de 13 anos com HIV/Aids;

5. Adultos com HIV/Aids que sejam portadores de hepatite B e/ou C;

6. Doenças de depósito;

7. Fibrose cística;

8. Trissomias;

9. Imunodepressão terapêutica ou por doença imunodepressora;

10. Candidatos a transplante de órgão sólido, cadastrados em programas de transplantes;

11. Transplantados de órgão sólido ou de medula óssea;

12. Doadores de órgão sólido ou de medula óssea, cadastrados em programas de transplantes;

13. Hemoglobinopatias.

Fonte : Sociedade Brasileira de Infectologia

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