Gordura Alimentar – Relação com as dislipidemias

A sociedade moderna, como a conhecemos na atualidade, recebeu inúmeras incorporações de mudanças em hábitos alimentares a partir de meados do século XIX, mais especificamente, durante a revolução industrial.

No rol de novos hábitos nutricionais, esta inserida a diminuição na ingestão de fibras, aumento no consumo de açúcares e de gorduras.

De forma gradual, em um crescimento constante, começamos a conhecer verdadeiras epidemias de doenças que foram caracterizadas como próprias de países desenvolvidos.

Dentre as principais doenças, relacionadas aos novos estilos de vida, destacamos a Obesidade, Hipertensão Arterial Sistêmica, Dislipidemias, Diabetes Melitus e a doença aterosclerótica.1,2,3

A doença aterosclerótica constitui uma das principais causas de mortalidade e morbidade no Brasil. Estimativas do Ministério da Saúde e dados do Sistema Único de Saúde (SUS) consideram a possibilidade de 300000 mortes por ano devido a problemas relacionados diretamente com a aterosclerose em artérias coronárias. 3,4

A quantidade e o tipo de gordura ingerida na alimentação influencia diretamente os níveis séricos dos lípides. A saturação dos ácidos graxos pode modificar a evolução da doença aterosclerótica, na medida que altera o colesterol total e o LDL colesterol.

Os receptores celulares para o colesterol podem ser reduzidos de forma relativa na ocorrência de altas taxas séricas de gordura saturada que também, devido a sua estrutura retilínea, propicia uma maior concentração de colesterol nas LDL-c.

Um dos grandes vilões da atualidade, devido ao alto consumo de alimentos oriundos de fast foods, são os ácidos graxos de configuração trans. Resultado da hidrogenação dos óleos vegetais polinsaturados, estão presentes em inúmeros produtos comerciais e nas margarinas duras.

Dentre as inúmeras ações metabólicas das gorduras trans, destaca-se a possibilidade de ocupar os receptores hepáticos para o colesterol, promovendo de forma direta o aumento sérico do LDL colesterol. Desta forma, merece consideração na pratica clínica, a indicação de controle dietético voltado às ações preventivas.

A incorporação de hábitos nutricionais saudáveis pressupõe a utilização racional de gordura saturada, privilegiando o consumo de polinsaturadas e monoinsaturadas.
Outras recomendações limitam o consumo de carboidratos e sugerem o aumento no consumo de fibras e demais alimentos funcionais.5,6

O impacto da obesidade nas doenças cardiovasculares e o aumento alarmante nos índices de obesidade na totalidade dos países sugere ações de saúde voltadas às medidas de prevenção e educação.7

A incorporação da atividade física, como prática rotineira no dia a dia dos indivíduos e orientação primeira nas condutas multidisciplinares em prevenção primária e secundária da doença aterosclerótica, já faz parte do rol de consensos das sociedades médicas de cardiologia.8,9

Por fim, destacamos as recomendações do NCEP, programa americano de educação no controle do colesterol, baseado em recomendações oriundas de consensos de especialistas.5

Recomendações sobre o controle das Dislipidemias:

Tabela 1: Alterações recomendadas pela NCEP, para estilo de vida saudável, em prevenção da DCV “National Cholesterol Education Program” 2001. 

Nutrientes    Ingestão Recomendada   
Gordura Saturada:    <7% do total calórico *   
Gordura Polinsaturada    até 10% do total calórico   
Gordura Monoinsaturada     até 20% do total calórico   
Gorduras totais     25%-35% do total calórico   
Carboidratos     50-60% do total calórico **   
Proteínas     aprox.15% do total calórico   
Fibras     20-30g/dia   
Colesterol     <200mg/dia*   
Redução de Peso        
Atividade Física         
Observações:        
* se o LDL colesterol esta dentro dos valores normais e não existe fator de risco para doença cardiovascular, poderemos considerar valores < 10% para a gordura saturada e 300 mg/dia para colesterol   
** Carboidratos complexos   

Referencias Bibliográficas   

  1. Keys A, Anderson JT, Grande F. Serum cholesterol response to change the diet. Metabolism, 1965, 14: 747 – 758
  2. Hargrove RL, Etherton TD, Pearson TA, Harrison EH, Etherton PMK. Loow fat and high Monounsaturated fat diets decrease human low density lipoprotein oxidative susceptibility in vitro. Journal of nutrition (131): 1758 – 1763, 2001
  3. Neves NMS, Evidências Epidemiológicas. In: Nutrição e doença cardiovascular. Rio de janeiro: Guanabara Koogan 1997;11-24.
  4. DATA SUS. www.datasus.gov.br
  5. Expert panel on detection, evaluation and treatment of high blood cholesterol in adults: Executive summary of the third report of the national cholesterol education program. NCEP, (National Cholesterol Education Program) JAMA 285: 2486 – 2497, 2001.
  6. Franz MJ et al. Evidence – based nutrition principles and recommendations for the treatment and prevention of diabetes and related complications. Diabetes Care 26 (suppl.) 1S51-S61, 2003
  7. Krauss RM, Winston M, Fletcher RN, Grundy SM. Obesity: impact of cardiovascular disease. Circulation 98: 1472-1476, 1998
  8. www.cardiol.br
  9. NIH Consensus Development Panel on Physical Activity and Cardiovascular Health: Physical Activity and cardiovascular health. JAMA 276: 241 – 246, 1996

    

 Dr. Daniel Magnoni
Coordenador do Comitê do Selo de Aprovação SBC  

 Fonte: http://: www.nutricaoclinica.com.br

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