endometriose

Há mulheres que comem o pão que o diabo amassou, quando chega a menstruação. Sentem dores fortes, mal estar e muita irritação.

Muitas delas são portadoras de endometriose, mal que acomete pelo menos 5% a 10% das que estão em idade reprodutiva. No caso das adolescentes com esses sintomas; esse número pode atingir 40% a 50%.

O que caracteriza a endometriose é a presença de implantes de um tecido bastante semelhante ao endométrio (a camada que reveste a parte interna do útero) na cavidade abdominal ou nos ovários.

O quadro clínico é caracterizado pela tríade: dor crônica na região pélvica, infertilidade e dor à penetração profunda durante as relações sexuais. Podem ocorrer ainda alterações do ritmo digestivo e urinário durante o período menstrual.

Apesar dessa sintomatologia, estudo feito no Hospital das Clínicas de São Paulo pela equipe do Dr. Maurício Abrão mostrou que, em 44% dos casos, o diagnóstico só é feito cinco anos ou mais depois dos primeiros sintomas.

Há fatores genéticos envolvidos na gênese: mulheres com familiares portadoras de endometriose têm risco sete vezes maior de desenvolvê-la.

O distúrbio pode instalar-se como consequência de alterações anatômicas ou bioquímicas.

É exemplo de endometriose relacionada a alterações anatômicas, a que surge em jovens portadoras de obstruções vaginais que dificultam o fluxo menstrual, forçando os restos de endométrio a percorrer o caminho retrógrado, em direção às tubas uterinas, aos ovários e à cavidade abdominal.

Constituem exemplo de alterações bioquímicas, os casos ocorridos entre mulheres que foram expostas durante a vida intrauterina a doses altas de estrógenos, administradas a suas mães.

Existem três formas principais da doença: peritonial (quando os implantes se estabelecem na superfície interna da cavidade pélvica e dos ovários), endometriomas (quando surgem cistos ovarianos complexos revestidos por tecido endometrioide) e nódulos retovaginais (quando o tecido endometrioide forma nódulos sólidos no espaço entre o reto e a vagina).

Há quatro hipóteses principais para explicar a endometriose:

1)      Fragmentos do endométrio que deveriam ser eliminados pela menstruação fariam o trajeto retrógrado na direção da cavidade abdominal;

2)      As lesões surgiriam na cavidade abdominal como resultado da persistência de células primitivas, que se diferenciariam em tecido semelhante ao do endométrio;

3)      As células endometriais presentes no líquido menstrual migrariam para a cavidade abdominal através dos vasos sanguíneos ou linfáticos;

4)      Células-tronco da medula óssea cairiam na circulação e se diferenciariam em tecido endometrioide formando os implantes pélvicos.

Há evidências de que a repetição dos ciclos ovulatórios tenha importância na formação e persistência dos implantes, uma vez que os sintomas geralmente desaparecem na menopausa, a multiparidade está associada à diminuição do risco de desenvolver a doença e a inibição da função ovariana com medicamentos reduz as dimensões dos nódulos, evita novos implantes e alivia os sintomas.

O diagnóstico é feito a partir das queixas, do exame ginecológico (que pode revelar a existência de nódulos entre a vagina e o reto, ovários aumentados e dolorosos ao toque) e do ultrassom. Implantes menores situados na cavidade abdominal podem ser visualizados pela laparoscopia.

O tratamento clínico pode ser feito com o uso da pílula anticoncepcional (contendo estrogênio e progesterona ou apenas progesterona), através da inibição da função ovariana ou do emprego de drogas pertencentes ao grupo dos inibidores da aromatase, enzima importante para a formação de estrogênio.

O tratamento cirúrgico quase sempre é feito pela laparoscopia que permite retirar os implantes ou vaporizá-los por meio de raios laser ou aplicação de corrente elétrica. Cirurgias convencionais são indicadas apenas em casos selecionados.

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