Doença de Chagas

Os principais fatores na condução da doença de Chagas são abordados de maneira concisa, sem com tudo perder o vínculo científico necessário, permitindo recapitular os conhecimentos adquiridos e atualizá-los, na medida do necessário.

Descrição

A doença de Chagas recebe este nome em homenagem ao seu descobridor: Carlos Chagas, vide figura 1. É uma doença infecciosa, causada pelo protozoário flagelado denominado de Trypanosoma cruzi ou T. cruzi.

A doença de Chagas é de curso clínico crônico e com a fase inicial aguda, com sinais ou sintomas, quase sempre inespecíficos, quando presentes.

Pode evoluir para a fase crônica, com comprometimento cardíaco, denominado de cardiopatia chagásica, ou digestivo,

Vetor

A doença de Chagas tem como seu o vetor inseto triatoma, genericamente conhecido como “barbeiro” ou “chupão”,

Modo de transmissão

Natural ou primária

A transmissão natural, ou primária, da doença de Chagas é a do tipo vetorial e que se dá através das fezes dos triatomíneos, também conhecidos como “barbeiros” ou “chupões”.

Esses, ao picarem os vertebrados, em geral defecam após o repasto, eliminando as formas infectantes de tripomastigotas metacíclicos, presentes em suas fezes, e que penetram pelo orifício da picada, ou por solução de continuidade deixada pelo ato de coçar o local da picada.

A eliminação do Triatoma infestans, espécie estritamente domiciliar, e a diminuição da densidade triatomínica domiciliar, por outras espécies de triatomíneos, reduziu significativamente a transmissão vetorial que, na década de 70, se estimava ser responsável por 80% das infecções humanas.

Outras formas de transmissão

A transmissão transfusional da doença de Chagas ganhou grande importância epidemiológica, nas duas últimas décadas, em função da migração de indivíduos infectados para os centros urbanos, e da ineficiência no controle das transfusões, nos bancos de sangue.

A transmissão congênita ocorre, mas muitos dos conceptos têm morte prematura, não se sabendo, com precisão, qual a influência dessa forma de transmissão na manutenção da endemia.

A transmissão acidental em laboratório, e a transmissão pelo leite materno, são ambas de pouca significância epidemiológica.

Sugere-se a hipótese de a ocorrência da transmissão, por via oral, em alguns surtos episódicos.

8.1.2 – Escolha do método de exame

Eles estão particularmente indicados para quando o paciente está na fase

aguda da doença, pois nesta etapa, a parasitemia é intensa, o que colabora para o sucesso do resultado, uma vez que estes métodos estão limitados pela quantidade de parasitas presentes para que eles sejam demonstrados.

Na figura 5 estão mostrados o sangue corado de dois pacientes, o primeiro, com elevada parasetemia e o segundo com baixa parasetemia. No primeiro paciente o resultado do exame por este método alcança a expectativa, o que pode não ocorrer para o segundo paciente.

8.1.3 – Métodos disponíveis

Estão disponíveis os métodos parasitológicos: exame a fresco do sangue, a gota espessa do sangue, o esfregaço de sangue corado, o creme leucocitário e o xenodiagnóstico.

Estes métodos são cada dia menos empregados devido as limitações que eles impõem, como por exemplo, a necessidade de ter, no caso do xenodiagnóstico, o “barbeiro” vivo e não parasitado para a sua execução. Por outro lado, os métodos baseados na observação microscópica do parasita no sangue, como, por exemplo, o método da gota espessa, é de êxito dependente da parasetemia e isto o torna mais limitado ao uso. Veja a figura 5.

Figura 6 – Microfotografia eletrônica do T. cruzi no sangue

A figura 6 mostra uma microfotografia eletrônica do T. cruzi no sangue, podendo ver os eritrócitos e os tripanosomas. Doença de Chagas 7

8.2 – Imunológicos

Os métodos imunológicos são cada vez mais empregados em substituição aos métodos parasitológicos devido as suas características de desempenho, como, por exemplo, a elevada sensibilidade e especificada da imunofluorescência, aliás, o método de escolha e o empregado para dirimir dúvidas dos outros métodos de exame.

8.2.1 – Fundamento

Os métodos imunológicos fundamentam-se no fato de que as pessoas quando expostas ao T. cruzi, produzem anticorpos, os quais podem ser identificados no sangue do paciente.

Os métodos imunológicos permitem detectar os anticorpos do T. cruzi do tipo IgG ou IgM e os anticorpos IgM podem estar relacionados com a fase aguda da doença, mas não necessariamente.

8.2.2 – Escolha do método

Eles podem ser usados tanto na fase aguada como na fase crônica da doença, embora na fase aguda há necessidade de demonstrar a presença do T. cruzi com um dos métodos parasitológicos.

8.2.3 – Métodos disponíveis

Os métodos imunológicos disponíveis são os que se fundamento nas reações de IHA – Inibição da Hemaglutinação, IFI – Imunofluorescência indireta e no EIE – Enzimaimunoensaio do tipo ELISA – Enzyme – Linked Immunosorbent Assay.

8.2.4 – Imunofluorescência indireta

O método da IFI – Imunofluorescência indireta é o método imunológico de escolha, devido as suas características de elevada especificidade e sensibilidade, de elevada reprodutibilidade e da padronização de sua execução.

Este método permite identificar os anticorpos do tipo IgG e que estão relacionados com a fase crônica da doença de Chagas ou os anticorpos do tipo IgM e que estão relacionados com a fase aguda da doença.

O método da IFI – Imunofluorescência indireta também freqüentemente empregado para confirmar os resultados positivos, duvidosos ou negativos obtidos com os métodos de IHA e EIE.

A figura 7 demonstra com os T. cruzi são vistos no microscópio de imunofluorescência, após a execução do método de exame da imunofluorescência indireta.

Quando diante da suspeita da doença de Chagas e o método da IFI – Imunofluorescência indireta é solicitada, deve-se recordar que para a confirmação da presença do T. cruzi, emprega-se a diluição inicial de 1:20 e quando a suspeita é para confirmar a ausência, emprega-se a diluição inicial de 1:40. O tipo de suspeita deve ser informado quando da solicitação do exame por este método para com isto evitar transtorno de repetição do exame.

Figura 7 – T. cruzi na imunofluorescência

8.2.5 – IHA e EIE

O método da IHA – Inibição da Hemaglutinação e do EIE – Ensimaimunoensaio do ELISA é mais utilizados para a triagem dos pacientes.

Os resultados obtidos com eles requerem freqüentemente a confirmação com o método da IFI – Imunofluorescência indireta. Isto limita o uso destes métodos, principalmente quando o resultado deles é duvidoso ou demonstrativo da presença do anticorpo do T. cruzi.

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