Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM)

Estudos revelam que os níveis de testosterona interferem no risco cardiovascular e na síndrome metabólica no homem.

O Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM), que atinge até 33% dos homens acima de 60 anos, pode acentuar doenças crônicas.

Os resultados de um estudo clínico alemão (1) apresentado durante o 13º Congresso Internacional de Endocrinologia, realizado entre 8 e 12 de novembro no Rio de Janeiro, comprovam a relação entre os níveis de testosterona e as taxas de proteína C-reativa, um fator inflamatório ligado ao aumento do risco cardiovascular. Essa pesquisa acompanhou 117 pacientes com DAEM durante 15 meses em que eles receberam a terapia hormonal com undecilato de testosterona.

“Ficou clara a redução das taxas de proteína C-reativa no sangue, bem como dos sintomas do envelhecimento masculino, conforme os níveis de testosterona foram normalizados nos pacientes pesquisados”, conta o Dr. Farid Saad, especialista em endocrinologista e diretor da área de Andrologia da Bayer Schering Pharma na Alemanha. De acordo com o Dr. Saad, a queda da proteína inflamatória pode estar relacionada à diminuição da gordura corporal, um dos benefícios trazidos pela terapia hormonal. No início do estudo, os pacientes apresentavam taxas médias de 3,5 miligramas de proteína C-reativa por decilitro de sangue. Após os 15 meses de terapia com undecilato de testosterona a taxa média ficou em 2,0 miligramas de proteína C-reativa por decilitro de sangue.

Processos inflamatórios agudos contribuem para o desenvolvimento de aterosclerose e para o envelhecimento do organismo de modo geral. ?O tecido adiposo acelera a produção de fatores inflamatórios, entre eles a proteína C-reativa?, afirma o Dr. Farid Saad.

De acordo com o endocrinologista Ricardo Meirelles, professor da PUC-Rio e vice-presidente do Departamento de Endocrinologia Feminina e Andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a testosterona tem um papel abrangente no organismo. “As investigações científicas mais recentes demonstram a importância desse hormônio na síndrome metabólica e no risco cardiovascular”, afirma o Dr. Meirelles.

A introdução de um tratamento específico para restabelecer os níveis de testosterona em homens que apresentam queda das taxas desse hormônio no organismo é recente. Esse fenômeno, conhecido como Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM) – também chamado de hipogonadismo ou, popularmente, de andropausa – atinge até 33% dos homens acima de 60 anos e pode trazer sintomas psicológicos como depressão, irritabilidade e dificuldade de concentração, além de agravar de doenças crônicas como a síndrome metabólica e aumentar o risco cardiovascular.

Testosterona X Síndrome Metabólica

Diversos estudos têm demonstrado que a queda das taxas de testosterona no organismo masculino não está associada somente ao avanço da idade. Essa diminuição está ligada também a males crônicos, especialmente àqueles que representam alto risco para o desenvolvimento de doenças metabólicas e cardiovasculares: diabetes tipo 2, obesidade, hipertensão e dislipidemia (colesterol alto).

No entanto, a combinação entre dieta balanceada, prática regular de exercícios físicos e terapia hormonal à base de testosterona pode ser a chave para encerrar o círculo vicioso que se forma entre os problemas crônicos de saúde e o DAEM. “Uma pesquisa alemã recente, feita pelo professor Armin Heufelder, demonstrou que, após um ano de acompanhamento, pacientes com hipogonadismo e diabetes que adotaram um estilo de vida saudável e receberam a terapia hormonal saíram do quadro de síndrome metabólica”, conta o Dr. Farid Saad. “Esses homens apresentaram melhora de sua composição física, com ganho de massa muscular e perda de gordura, cuja conseqüência foi o melhor controle glicêmico”, explica o Dr. Saad. De acordo com ele, outro estudo conduzido em Harvard também apontou o efeito positivo direto da testosterona no que se refere à sensibilidade à insulina. Vale lembrar que a resistência à insulina é uma das causas do diabetes tipo 2.

Terapia hormonal e o futuro do tratamento do DAEM

Dentre os efeitos a longo prazo da terapia hormonal em homens com hipogonadismo observa-se: melhora da densidade óssea, da composição corporal, das funções sexuais e aumento da energia e vigor de modo geral.  No entanto, Dr. Farid Saad destaca os aspectos que vêm sendo investigados recentemente como os efeitos ‘anti-diabéticos’ e ‘redutores da aterosclerose’ da testosterona como os mais significativos para a saúde do homem maduro. “Acredito que em alguns anos será possível utilizar a terapia hormonal como adjuvante para tratar o diabetes e combater a obesidade em homens que apresentam déficit de testosterona”, conclui o Dr. Saad.

Sobre o medicamento

O undecilato de testosterona é uma terapia de reposição hormonal injetável indicado para o tratamento dos sintomas do DAEM. O medicamento é administrado em aplicações trimestrais (via injeção intramuscular). Seu mecanismo de ação libera gradualmente o hormônio, mantendo os níveis de testosterona normais por mais tempo.

(1)  A. Haider – C-Reactive Protein Levels and Aging Male Symptoms (AMS) in Hypogonadal Men Treated with Testoterone Supplementation

Fonte 

A Bayer Schering Pharma (BSP), divisão da Bayer HealthCare.

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