Depressão pós-parto atinge um a cada cinco homens

Um recente estudo publicado pelo Conselho de Pesquisa Médica do Reino Unido aponta que um em cada cinco homens sofre com depressão pós-parto – uma doença que, até pouco tempo, era conhecida como um problema que atingia basicamente as mulheres.

No caso das mães, as razões da depressão pós-parto podem estar associadas à alteração hormonal, condição psíquica materna, gestação múltipla (situação em que há maior exigência do casal), fertilidade assistida, bebês internados em UTI neonatal etc.

Já no caso dos homens, a ansiedade em prover uma boa vida para a criança, o aumento das responsabilidades e o suporte que se deve dar à esposa estão entre as principais causas do problema.

De acordo com a psicóloga do Einstein, Dra. Ana Merzel Kernkraut, a depressão pós-parto entre os homens é verificada principalmente do final da gestação até o primeiro ano de vida da criança. O estudo inglês aponta também que aproximadamente 21% dos pais podem sofrer com sintomas de depressão até o primeiro aniversário da criança.

“Na maioria dos casos, percebe-se um agravamento da situação entre o terceiro e o sexto mês de vida do bebê, que tem muito a ver com a convivência e com a nova relação familiar que se estabelece, além da rotina de vida do bebê – despertar noturno para cuidar da criança, maior número de tarefas em casa, além do compromisso profissional”, afirma.

De acordo com a psicóloga, outra razão para o desencadeamento da doença nos homens é a mudança na qualidade do próprio relacionamento com as esposas. “Até o nascimento do bebê, a relação contava com apenas duas pessoas. Com a chegada de um terceiro, a atenção passa a ser dividida e o fato pode gerar um problema entre o casal”, avalia.

“As mulheres, nesse período, geralmente têm a sua atenção principal voltada para o bebê. Para que não haja desconforto, vai depender da maturidade do casal ultrapassar essa fase de acomodação. Para os homens com esposas com depressão pós-parto, a sobrecarga de responsabilidades também pode ser muito difícil e agravar o problema”, explica.

De acordo com o estudo, pais jovens são os mais afetados pela chegada do bebê – geralmente na faixa dos 15 aos 24 anos, assim como aqueles com quadros de depressão anteriores e de classes menos favorecidas.

Sintomas

Os principais sintomas de depressão pós-parto nos homens são: irritabilidade, tristeza, falta de vontade de se relacionar com o outro, choro, falta de apetite e dificuldade de relacionamento com os filhos, inclusive com o recém-nascido.

“A doença geralmente é entendida pela sociedade como uma rejeição à criança, mas não devemos generalizar. Muitas vezes é uma dificuldade de relacionamento que se apresenta e não uma rejeição”, afirma a psicóloga.

Diferença entre homens e mulheres

A sobrecarga da mulher com a chegada de um bebê é bastante conhecida e a própria depressão pós-parto na mãe já é mais compreendida pela sociedade. No geral, a responsabilidade do pai é menos valorizada e, por isso, o seu sofrimento pode ser até maior.

“Como ainda é um assunto sobre o qual se conhece menos, um desempenho satisfatório do homem continua sendo cobrado no trabalho, em casa, na vida social, mesmo se ele estiver com um quadro depressivo”, esclarece a Dra. Ana Merzel Kernkraut.

Alerta e tratamento

De acordo com a psicóloga do Einstein, homens com depressão pós-parto podem contar com uma avaliação psiquiátrica e um suporte medicamentoso e psicológico.

Para procurar auxílio profissional, eles devem estar alerta aos seguintes aspectos:

  • mudança de comportamento
  • vida social afetada
  • maior irritabilidade
  • maior tristeza
  • como se sentem em relação ao bebê e à esposa
  • dificuldade de lidar com a sobrecarga

“A figura paterna tem um papel muito grande para o filho homem e o estudo mostra também que os bebês do sexo masculino são mais afetados se o pai sofrer com depressão pós-parto”, afirma.

Benefícios do estudo

“Pouco se sabia sobre a depressão pós-parto em homens. Com a publicação desse e de outros estudos sobre o assunto, a sociedade ganha porque existe a possibilidade de um diagnóstico mais rápido. Já contamos com mais informação sobre o que pode acontecer com os pais e é preciso apenas que eles fiquem atentos e que busquem ajuda”, conclui a psicóloga do Einstein.

Dicas para os pais:

  • Fiquem atentos às alterações de comportamento, como maior irritabilidade, falta de vontade de estar em casa, de auxiliar no cuidado do bebê, entre outras.
  • Procure um médico para conversar sobre o que está sentindo.
  • Não menospreze seu sentimento, pois é importante que haja o diagnóstico e tratamento para que você se sinta melhor.
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