Brasil cria a primeira vacina contra esquistossomose

O Brasil criou e vai produzir a primeira vacina contra esquistossomose, doença crônica causada pelo parasita Schistosoma . Após 37 anos de pesquisa, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), responsável pelo desenvolvimento e teste do imunizante, anunciou nesta terça-feira (12/06/2012) que a vacina  foi aprovada nos testes clínicos, feitos com 20 voluntários.

O imunizante foi produzido a partir da proteína Sm14, extraída do próprio parasita Schistosoma mansoni. Ela funciona como antígeno, substância que estimula a produção de anticorpos e impede que o parasita se instale no organismo.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a esquistossomose é a segunda doença parasitária que mais mata no mundo, atrás apenas da malária. O parasita afeta atualmente 200 milhões de pessoas em áreas sem saneamento básico, e tem potencial para atingir 800 milhões de indivíduos em todo o mundo, principalmente nos países da África, da América Central e no Brasil — em especial no nordeste e em Minas Gerais.

Os pesquisadores responsáveis pela criação da vacina acreditam que será possível  imunizar a população dos locais mais expostos à epidemia no mundo dentro do prazo máximo de cinco anos.

A criação dessa vacina, que é também o primeiro imunizante para vermes, coloca o Brasil em uma posição de destaque no campo da ciência mundial.

Esquistossomose é uma doença causada pelo Schistosoma mansoni, parasita que tem no homem seu hospedeiro definitivo, mas que necessita de caramujos de água doce como hospedeiros intermediários para desenvolver seu ciclo evolutivo.

A transmissão desse parasita se dá pela liberação de seus ovos através das fezes do homem infectado. Em contato com a água, os ovos eclodem e libertam larvas que morrem se não encontrarem os caramujos para se alojar. Se os encontram, porém, dão continuidade ao ciclo e liberam novas larvas que infectam as águas e posteriormente os homens penetrando em sua pele ou mucosas.

A esquistossomose chegou às Américas Central e do Sul provavelmente com os escravos africanos e ainda hoje atinge vários estados brasileiros, principalmente os do Nordeste.

 

Fique atento aos sintomas e às formas de prevenção da esquistossomose:

Sintomas

A doença tem uma fase aguda e outra crônica.

Na fase aguda, pode apresentar manifestações clínicas como coceiras e dermatites, febre, inapetência, tosse, diarreia, enjôos, vômitos e emagrecimento.

Na fase crônica, geralmente assintomática, episódios de diarreia podem alternar-se com períodos de obstipação (prisão de ventre) e a doença pode evoluir para um quadro mais grave com aumento do fígado (hepatomegalia) e cirrose, aumento do baço (esplenomegalia), hemorragias provocadas por rompimento de veias do esôfago, e ascite ou barriga d’água, isto é, o abdômen fica dilatado e proeminente porque escapa plasma do sangue.

Tratamento

O tratamento da doença pode ser feito com medicamentos específicos que combatam o Schistossoma mansoni. Uma nova droga quimioterápica, o hicantone, já se mostrou eficaz para curar a doença na grande maioria dos casos.

No entanto, educação sanitária, saneamento básico, controle dos caramujos e informação sobre o modo de transmissão da doença são medidas absolutamente fundamentais para prevenir a doença.

Recomendações

* Esteja atento às normas básicas de higiene e saneamento ambiental. Evite contato com a água represada ou de enxurrada que pode estar infestada pelo parasita;

* Saiba que os caramujos podem ser combatidos de várias maneiras diferentes: por controle biológico, químico e das condições do meio ambiente. Como seu habitat natural preferido são lugares com pouca água e correnteza, algumas medidas podem ser tomadas como drenar, aterrar ou aumentar a velocidade da água na área em que vivem. O controle biológico pode ser exercido por animais que se alimentam dos caramujos (peixes, patos, etc) e o químico pelo uso de moluscocidas;

* Use roupas adequadas, botas e luvas de borracha se tiver que entrar em contato com águas supostamente infectadas;

* Cabem às autoridades sanitárias a destruição do habitat das larvas e o trabalho de informar a população. Isso não isenta ninguém da responsabilidade de alertar as pessoas, principalmente as que vivem em áreas presumidamente infectadas.

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