Ator Ben Stiller defende exames de detecção do câncer de próstata

Actor Ben Stiller poses for a portrait in advance of his movie "The Secret Life of Walter Mitty" in New York December 7, 2013.     REUTERS/Carlo Allegri (UNITED STATES - Tags: ENTERTAINMENT PORTRAIT)

Actor Ben Stiller  Foto: ENTERTAINMENT PORTRAIT

No último dia 4 de outubro, em entrevista à rádio americana Sirius XM, o ator Ben Stiller, de 50 anos, revelou ter sido diagnosticado com câncer de próstata aos 48 anos. Segundo Stiller, graças à realização precoce do exame PSA, ao qual era submetido periodicamente desde os 46 anos a pedido do seu urologista, ele foi diagnosticado precocemente e ficou curado da doença.

O comediante decidiu falar para alertar outros homens sobre a importância do exame, que não é recomendado pelo US Preventive Services Task Force. Segundo o ator, se ele seguisse a indicação do órgão americano sobre profilaxia em saúde, ele nunca teria feito o teste e não saberia que tinha câncer e poderia ficar tarde demais para tratá-lo com sucesso.

Entre os homens, o câncer de próstata é o tipo mais comum (exceto o de pele não melanoma) e a segunda maior causa de óbito oncológico. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), em 2016 serão 61.200 novos casos no Brasil. Estima-se que quase 25% dos portadores de câncer de próstata ainda morrem devido à doença.

A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda aos homens a partir dos 50 anos procurar o urologista para uma avaliação individualizada. Aqueles que possuem histórico na família ou são da raça negra devem procurar o especialista a partir dos 45 anos. “O rastreamento oportunístico é quando se solicita exames de uma forma não sistemática, em uma consulta de rotina, a pedido do paciente ou quando há algum fator de risco. Mas nada impede, entretanto, que homens que não pertençam a grupos de risco discutam com seus médicos a possibilidade de iniciar a avaliação rotineira antes dos 50 anos”, explica Dr. Geraldo Faria, coordenador da campanha Novembro Azul pela SBU.

Detecção

O antígeno prostático específico (PSA) é uma substância produzida pela próstata. Geralmente considera-se como linha de corte valores até 2,5. “No entanto, não basta avaliar o número, mas sim uma série de fatores, como o tamanho da próstata. Próstatas maiores produzem mais PSA e esse tipo de exame não é um marcador do câncer de próstata, mas sim da próstata. Na hiperplasia benigna da próstata e na prostatite, por exemplo, podemos encontrar PSA aumentado. Indivíduos com PSA acima de 2,5 serão avaliados como um todo, analisando-se volume da próstata, evolução do PSA nos últimos anos etc.”, esclarece Faria.

Atualmente, além do toque retal e do PSA, os urologistas têm à disposição a ressonância magnética multiparamétrica da próstata. “Ela mostra áreas suspeitas ou altamente suspeitas de câncer, o que nos facilita direcionar a biópsia para essas regiões. Esse exame nos dá uma classificação, chamada PI-RADS, que é a mesma classificação que existe para o câncer de mama. Os indivíduos com classificação PI-RADS 1 ou 2 seguramente não têm câncer. Os com 3 seriam suspeitos e os com 4 e 5 apresentariam lesões altamente suspeitas de câncer. Nesses casos obrigatoriamente devemos pedir a biópsia”, explica o coordenador do Novembro Azul.

Após terem sido detectados níveis de PSA elevado, Ben Stiller realizou uma ressonância magnética e uma biópsia, que comprovaram a doença de nível “intermediariamente agressivo”.

O ator publicou um artigo na rede social Medium no qual reforça a importância do exame de PSA: “mas sem este teste de PSA ou qualquer outro procedimento de rastreamento, como é que os médicos vão detectar casos assintomáticos como o meu, antes que o câncer se espalhe e dê metástase por todo o corpo tornando-se incurável?”, diz ele no texto. “Devemos, como a USPSTF sugere, não rastrear todos? Há evidências crescentes de que estas orientações levaram ao aumento dos casos de câncer da próstata que são detectados muito tarde para que o paciente possa sobreviver à doença”, continua Stiller.

O crescente números de câncer de próstata em nível avançado diagnosticado nos EUA após a recomendação da USPSTF é alertada pela SBU em sua nota oficial sobre o rastreamento do câncer de próstata.

Fatores de risco

Apesar de ainda não se conhecer a causa, estatísticas apontam que indivíduos mais jovens apresentam câncer de próstata mais agressivo. Da mesma forma, populações que consomem uma quantidade maior de gordura de origem animal apresentam uma incidência maior da doença. Americanos em geral são mais atingidos se comparados aos japoneses, por exemplo. “Quando um japonês migra para os Estados Unidos, a segunda geração, que possui hábitos americanos, começa a ter uma incidência de câncer de próstata semelhante à população americana. Isso mostra que provavelmente fatores de alimentação e ambientais influenciam na doença, mas ainda não temos uma comprovação”, alerta Faria.

Os tratamentos para o câncer da próstata incluem a vigilância ativa (observação), a cirurgia e a radioterapia. Para os casos em que a doença já se disseminou pelo organismo, podem-se utilizar a hormonioterapia e a quimioterapia.

Fonte: http://portaldaurologia.org.br/

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