Alergia ao leite e deficiência de lactase podem comprometer o desenvolvimento infantil

A falta de tratamento para a alergia ao leite de vaca pode levar o paciente à desnutrição e anemia. Riscos semelhantes podem atingir crianças com deficiência de lactase

1155002 SXC Alergia ao leite e deficiência de lactase podem comprometer o desenvolvimento infantilA alergia à proteína do leite de vaca é responsável por 77% dos casos de alergia alimentar em bebês e crianças e, quando tratada corretamente, tende a desaparecer após os 3 anos de idade. Trata-se de uma reação do sistema imunológico que provoca problemas gastrintestinais (diarreia, constipação, náuseas e vômitos), respiratórios (asma, rinite e chiado no peito) e na pele (manchas, lesões nas dobras e coceiras). Seu tratamento é basicamente por meio de terapia nutricional à base de uma fórmula infantil especial, que atende às necessidades nutricionais da criança.

Essa alergia à proteína do leite de vaca normalmente é diagnosticada após a inserção, na alimentação das crianças, de novos tipos de alimentos no período de adaptação no final da amamentação. “É importante observar que essa alergia não é ao leite materno, mas ao leite de vaca. Mas é importante salientar que quando a mãe ingere alimentos que contenham leite de vaca, pode haver as complicações citadas acima”, explica Rita Maria Monteiro Goulart, professora do curso de Nutrição da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), especialista em Nutrição Pediátrica.

Com o final da fase de amamentação, contudo, é necessário observar a complementação alimentar com a chamada fórmula de aminoácidos, pois ao contrário, a criança pode ficar desnutrida.

“A não utilização da fórmula de aminoácidos pode comprometer seriamente a saúde dos bebês pela falta de nutrientes, além da exposição destes pequenos pacientes a uma reação alérgica gravíssima, podendo levar a um choque anafilático”, conta Janete Hung, coordenadora da organização não governamental Sempre Vita – voltada à promoção de acesso à terapia nutricional para pacientes com necessidades específicas.

A especialista ainda lembra que a retirada da fórmula sem uma substituição adequada coloca a criança em risco para o desenvolvimento de distúrbios nutricionais que podem afetar, por vezes de maneira irreversível, o crescimento e o desenvolvimento.

“É importante ainda salientar que não é apenas o desenvolvimento da parte esquelética que pode ser comprometido, mas também das capacidades intelectuais, pois é no primeiro ano de vida que se dá o maior crescimento do perímetro encefálico, um indicador do crescimento do tamanho do cérebro de uma criança”, diz Janete.

“Por isso, a falta da fórmula pode acarretar o retorno do quadro clínico da criança, como reações de pele, respiratórias, gastrintestinais e até anafilaxia (fechamento da garganta). Além das consequências clínicas, essa situação causa retrocesso do tratamento e retarda a cura”, enfatiza Hung, e completa: “não podemos esquecer que alguns pacientes são menores de 5 ou 6 meses e ainda não comem outros alimentos, a dieta é exclusivamente à base de leite. Na ausência da fórmula, qual alimento será fornecido para essa criança? Nesses casos, sem a fórmula, o paciente pode chegar a morrer.”

 

Deficiência de lactase

Rita lembra também que a alergia à proteína do leite é diferente da deficiência de lactase. “Ao contrário da alergia à proteína do leite de vaca, a deficiência da lactase não desaparece após os 3 ou 4 anos de idade”, explica.

A deficiência de lactase se caracteriza pela impossibilidade do organismo da criança em produzir a enzima lactase que é responsável por quebrar o açúcar presente no leite. Com isso, o trato intestinal pode alternar entre a diarreia e a constipação, além de causar desnutrição acentuada, especialmente nos bebês que começaram a ser amamentados.

“O diagnóstico não é fácil. É preciso que o médico esteja atento a esse problema. A partir do diagnóstico será necessário substituir tudo que é derivado de leite por fórmulas específicas. Normalmente isso é feito observando produtos feitos com leite de soja ou mesmo com fórmulas especiais de leite sem a lactose – molécula que é quebrada pela lactase nas pessoas sem a deficiência”, diz Rita.

 

Tratamento da alergia ao leite garantido pelo SUS

“Não há medicamento para alergia alimentar e o único tratamento é a exclusão do alérgeno, no caso, a proteína do leite de vaca”, reforça Janete. “Esta fórmula infantil especial é necessária para suprir as necessidades nutricionais dos pacientes na ausência do leite, sem desencadear ou agravar os sintomas clínicos, sendo utilizada nos casos mais graves da doença”, lembra a representante da Sempre Vita.

“Nesse contexto, vale citar o exemplo do Estado de São Paulo, onde já existe o protocolo clínico”, lembra a coordenadora Janete. O protocolo paulista está em vigor desde 2008 e permite que, mediante avaliação médica, pacientes diagnosticados com alergia residentes no Estado de São Paulo consigam o tratamento gratuitamente.

por Enio Rodrigo

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