Adolescentes brasileiros têm taxas ruins de colesterol

blog-kidPesquisa com 38 mil jovens diz que 47% tem nível baixo de colesterol bom

Índices revelam obesidade e falta de exercício, o que pode provocar infarto e AVC precoces

O maior estudo já feito no Brasil para avaliar fatores de risco de doenças cardiovasculares não traz notícias muito animadoras sobre a saúde dos adolescentes do país.

Quase metade deles está com níveis baixos do chamado colesterol bom, o HDL -índice pior do que o dos EUA- e um em cada cinco jovens tem colesterol total alto.

A pesquisa, batizada de Erica (Estudo dos Riscos Cardiovasculares em Adolescentes), foi feita com jovens de 12 a 17 anos de todas as capitais do país. Ao todo, cerca de 75 mil adolescentes foram avaliados para questões como hipertensão, tabagismo, nível de atividade física e síndrome metabólica, entre outras. No caso do colesterol, porém, o universo é de 38 mil adolescentes que fizeram exames de sangue.

Os resultados, publicados na edição de fevereiro da “Revista de Saúde Pública”, apontam claramente para um quadro de obesidade e sedentarismo entre os adolescentes, segundo José Rocha Faria Neto, cardiologista e pesquisador da PUC-PR que ficou responsável pela análise dos dados nacionais relativos ao colesterol.

Raul Dias dos Santos Filho, diretor da unidade de lípides do Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da USP) e que não participou do estudo, vê os dados como “preocupantes”. “O HDL [colesterol bom] baixo indica fortemente que esses jovens estão obesos, essa é uma alteração típica do excesso de peso. Se eles persistirem com esse perfil, vão adiantar em uns dez anos o risco de problemas cardíacos na vida adulta.”

Santos Filho afirma que o o nível baixo do HDL é um fator de risco para doenças cardiovasculares, embora não exista prova de que aumentá-lo seja protetor. “Mas quando ele está baixo é bom. Há pacientes que infartaram e só tinham HDL baixo como fator de risco. E um terço das pessoas jovens que infartam também têm HDL baixo”, diz.

O HDL é considerado colesterol bom, protetor, porque ele remove o colesterol da parede das artérias, levando-o de volta ao fígado. Índices elevados dele estão associados a uma incidência menor de doenças cardíacas.

Para Santos Filho, apesar dos resultados negativos, o estudo pode indicar uma mudança. “É bom para dizer que o problema existe e pode ser contornado com estilo de vida, ou seja, dieta e exercício físico, sem necessariamente usar medicamentos.”

A prática de exercícios físicos, em especial, consegue elevar o colesterol bom, que “resgata” moléculas de gordura, fazendo com que se forme menos placas de gordura nos vasos sanguíneos.

Para Faria, embora a prevalência de LDL alto (colesterol ruim) tenha sido menos frequente (3,6% dos adolescentes), o achado merece atenção especial, porque pode indicar que parte deles tem hipercolesterolemia familiar, doença de causa genética.

No Brasil, estima-se que menos de 1% da população com a doença esteja corretamente identificada. Sem tratamento adequado, cerca de 50% dos homens terão algum evento cardiovascular, como um infarto, antes dos 50 anos.

 

Reportagem de Mariana Versolato

Foto Divulgação: Reprodução

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